quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Acorda, pá


Ontem jogou-se para a Taça da Liga, competição que provoca quase sempre sentimentos díspares à maioria dos adeptos, mas em particular aos sportinguistas.
Se, por um lado, gostamos sempre de ver o nosso clube jogar e vencer, até no torneio de sueca, não menos verdade é que esta competição já nos provocou amargos de boca suficientes para muitos não lhe darem qualquer crédito, sentimento partilhado até por clubes com responsabilidades.
O certo é que o Sporting recebeu e venceu o Marítimo por 3-0 e o jogo serviu, entre outras coisas, para dar minutos de jogo a inúmeros jogadores que têm sido pouco utilizados, bem como serviu para a equipa voltar aos golos, para desgosto dos especialistas em estatística que já esgaravatavam os ficheiros empoeirados à procura da última vez que o Sporting teria estado quatro jogos seguidos sem marcar.
Mas também serviu para continuar a aumentar o número de jogos sem sofrer golos, tal como para ver uma primeira meia hora capaz de nos fazer esboçar um largo sorriso. Também deu para constatar que, a cada jogo que passa, estamos mais perto de voltar a sofrer um golo.
Claro está que será fácil retirarmos conclusões, tendo em conta algumas exibições que pudemos apreciar, mas não acredito que Leonardo Jardim vá alterar muito os seus princípios e convicções, para os jogos que se avizinham.
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Mudando de assunto, hoje tive oportunidade de ler mais algumas declarações de uma autêntica lêndea viva.
Diz Pelé que: “Ronaldo faz-me lembrar Eusébio”.
Eu também concordo com o Rei. Ronaldo tem duas pernas, cabeça…orelhas, e mais um sem-fim de coisas em comum.
Tirando alguns aspectos cromáticos, de personalidade e de estilo, tudo o resto bate certo.
Mas outras frases destacam-se da sua declaração:

«Tornou-se muito difícil para um jogador manter-se ao mais alto nível. Para mim, o último grande jogador foi Zidane porque conseguiu manter-se ao mesmo nível durante, pelo menos, dez anos.»

«No meu tempo, podíamos encontrar cinco ou seis grandes jogadores. Para além de mim, tínhamos Cruyff , Beckenbauer, Eusébio... Hoje, temos uma ou duas estrelas.»

Quanto aos dez anos no topo, fico com a ideia de que Pelé terá acordado esta semana de uma grande letargia. Não sei que comprimidos anda a tomar, mas devia pedir para lhe reduzirem a dose.
Acorda, pá!
É que Ronaldo, goste-se ou não dele, está no topo há praticamente dez anos, e conta somente 28 anos.
Passou seis épocas em Manchester, e na segunda já fez 40 jogos como titular, num total de 50 jogos disputados, com 9 golos marcados.
Daí para cá, marcou 12 golos na época seguinte, depois 23, 42 e 26, no United, e 33, 53, 60, 55 e 29 (até ao momento) no Real.
Sempre a um alto nível, desde há 10 anos a esta parte.
Já Zidane, curiosamente, mesmo com toda a sua qualidade, só venceu a Bola de Ouro por uma vez, o que não deixa de ser estranho…pois foi o último grande jogador e manteve-se ao mesmo nível durante 10 anos.
No entanto, em relação a títulos Zidane está ao nível de Ronaldo, com apenas 15 títulos de relevo conquistados, naquelas tabelas que podemos encontrar em sites da especialidade…talvez por também ter passado demasiado tempo no Real.
Zidane também só conquistou um campeonato espanhol, em cinco épocas.
Ronaldo tem 13 títulos, talvez porque o Real tem encontrado um Barça que é muito mais que Messi…e joga numa selecção que definha em qualidade.
Já Pelé chegou aos 31 títulos, mas na lista constam 11 campeonatos Paulistas, 3 torneios de São Paulo (deve ser parecido com o torneio do Guadiana), 1 Torneio Gomes Pedrosa (??) e 2 campeonatos dos  E.U.A.
Entretanto, Eusébio conquistou 27 títulos, dos quais constam 9 da A.F Lisboa e um dos E.U.A.

Gosto da frase seguinte, onde Pelé glorifica o seu tempo.
Aliás, este sentimento é algo que acompanha a maior parte das pessoas.
No meu tempo a música era melhor, as brincadeiras eram mais divertidas…a comida sabia melhor…o fogo fazia mais calor…as moscas voavam mais rápido.
Até a televisão a preto e branco era muito mais a preto e branco do que agora.
Enfim...com as carências dos novos tempos, nem sei como a FIFA se descoseu para arranjar três nomeados para a gala, dado que só existem Ronaldo e Messi, com a devida vénia de Ibrahimovic, Neymar, Xavi ou Iniesta.