segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Síndroma de Estocolmo

Em entrevista ao programa "Zona Mista", da RTP Informação, o presidente Bruno de Carvalho revisitou alguns dos principais temas da actualidade leonina.
Um deles foi a célebre declaração que o próprio fez, após o não menos célebre jogo com o Nacional, apitado pelo talhante Manuel Mota.

"Quando digo que sinto vergonha de estar no mundo do futebol é porque fui educado a não mentir. Disse isso porque olho para a realidade e vejo clubes com medo, porque podem descer de divisão, e árbitros fartos das subidas e descidas em termos de divisão. Há um livro que está para sair onde se prova cientificamente que o Sporting é o clube mais prejudicado, mas é algo que todos já verificaram. Está enraizado. Aquilo que acontece é que os árbitros vivem num meio onde infelizmente o medo impera e onde não é perceptível que o Sporting seja uma entidade que lhes retire o medo, mas pode ser que isso mude."

A propósito do pós match onde BdC referiu ter vergonha de estar no mundo do futebol, recordo que muitas foram as vozes que logo se levantaram, contestando o conteúdo, timing e modo como abordou as incidências do jogo e as respectivas análises jornalísticas.

Aliás, não há declaração de BdC que seja pacífica, gerando sempre réplicas aos pequenos abalos telúricos que cria.

É frequente, inclusivamente, ler e ouvir alguns adeptos leoninos invectivarem BdC, ainda pouco convencidos com a nova realidade e estilo do presidente.
São também muitos os jornalistas a bufarem de raiva, perante a ofensiva do presidente do Sporting à classe e a outros poderes instituídos.
No entanto, admira-me que uns e outros tenham paciência para tolerar, durante décadas, métodos e discursos mafiosos de outros dirigentes desportivos.
Perante o cúmulo de acontecimentos, que deviam envergonhar não só os que bebem do fenómeno desportivo, mas todos os portugueses, uns e outros acabaram por se moldar e acomodar, como se tudo fosse obra do destino.

Diria até que, perante os sintomas, muitos dos atrás referidos parecem padecer do Síndroma de Estocolmo mas, no caso concreto, foi o bom senso e a coerência que foram feitos reféns de um clã que fez do futebol português o seu quintal.
Quando vejo, leio e oiço que chega a existir condescendência e simpatia por gente que maltratou o Sporting e o desporto português, fico com a certeza de que ainda sofrem do mal, e já compreendo a pouca tolerância perante a chegada deste intruso.