sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

C'um catano

Consumou-se a saída, por empréstimo, de Fito Rinaudo.
Não deixa de ser uma cedência encarada com naturalidade, dada a pouca utilização do argentino.
No entanto, mais do que a sua saída, o que parece estranho é lembrar que, há dois anos atrás, a equipa do Sporting era Rinaudo e mais 10.
Quando chegou, impressionou assim que começou a encher o meio-campo, com a sua impressionante força física e disponibilidade.
Era para mim quase impensável imaginar aquela equipa sem o trinco que, por sinal, preferia actuar sozinho na tarefa de varrer o campo, quase de área a área.
A sua impetuosidade nunca foi aplicada com maldade mas, para a maioria dos árbitros, sempre foi mais fácil punir Rinaudo com cartões do que Maxis, Fernandos e afins.
Aquela maldita lesão, contraída na Roménia, acabou com a sua época, e  2011/12 ainda ia no início, mas também foi um rombo nas aspirações leoninas, pois ficámos à porta de mais uma final europeia e perdemos uma final da Taça que nunca poderia ter acontecido.
A época passada deveria ter sido a da consolidação do jogador, mas a forma exibida nunca mais foi a mesma. No entanto, a trágica época 2012/13 foi terrível para todo o plantel, e Rinaudo foi só mais um a penar pelos campos portugueses e europeus. Apesar de tudo, Rinaudo continou a tentar ser um líder, dentro e fora de campo.
A presente época era por todos considerada uma incógnita, dada a escassez de recursos e o desinvestimento efectuado.
Rinaudo surgiu como um dos capitães de equipa, sinal de que teria um papel importante no seio do plantel.
A verdade é que um tal de William Carvalho decidiu "explodir" com a nossa camisola, e retirou ao argentino qualquer hipótese de brilhar.
Todos os holofotes incidem sobre o jovem luso-angolano, e actualmente é impossível imaginar a equipa sem ele.
Agora, é William e mais 10.
A diferença entre os dois é evidente e, para mim, o melhor William é melhor que o melhor Rinaudo.
Rinaudo, com aquela vontade desenfreada de matar o jogo adversário, acabava sempre com o equipamento encardido, tantas as vezes que se envolvia em duras batalhas.
No entanto, acabava por perder algum discernimento, e a equipa muitas vezes se ressentiu de alguns excessos de zelo.
William, ao contrário, nunca vai ao chão. Desarma os adversários com inteligência, sempre impondo o seu físico...mesmo que tenha ficado na retina a sua incapacidade de parar Markovic, num lance que nos levou dois pontos.
Mas, é sabido que no melhor pano cai a nódoa.
Outra das grandes diferenças prende-se naturalmente com o envolvimento no jogo ofensivo.
William tem uma segurança de passe impressionante, impõe o ritmo de jogo e também é ele que, com propriedade, costuma iniciar muitas das jogadas de ataque.
Sem se evidenciar muito noutro parâmetro, a verdade é que William Carvalho já marcou dois golos no campeonato, algo que Rinaudo nunca conseguiu, em duas épocas no Sporting.
Se, por um lado, acredito que ninguém no seu perfeito juízo trocaria neste momento a titularidade de William pela de Rinaudo, não menos verdade é que todos nós recordamos os melhores predicados do argentino. Ao mesmo tempo, questionamos o que poderá acontecer, perante uma ausência mais ou menos prolongada do nosso menino de oiro.
Foi graças a um plantel desequilibrado, e a adaptações de emergência (Carriço) que a época em que o argentino se lesionou não correu melhor.

Os italianos do Catania são a próxima equipa de Fabian Rinaudo.
C'um catano.
Só espero não vir a sentir saudades do capitão, na presente época.