quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Os canhotos sabem do que falam


A entrevista de Jefferson ao jornal Sporting galgou as margens e, felizmente, já chegou ao oceano informativo.
Dado que o jornal do clube tem um alcance reduzido, é bom que muitos dos nossos adeptos acedam a alguma dessa informação:

«O Sporting é um clube do qual a maioria dos árbitros não gosta. Quando entro em campo sei que, de qualquer forma, vão tentar tirar o que o Sporting sabe fazer, que é jogar bom futebol. Se nos anularem um golo, temos de marcar outro e se nos anularem esse temos de marcar mais ainda para sairmos vencedores. Cada jogo é encarado como uma batalha e temos de vencer».

«Estamos juntos, contra tudo e contra todos.»

O estado de espírito do jogador e, por arrastamento, de todo o plantel, é motivador e preocupante.
É motivador saber que a estrutura é consciente dos obstáculos que lhes são colocados no caminho, semana após semana, bem como é gratificante saber que o plantel está unido e com vontade de os ultrapassar.
No entanto, não deixa de ser preocupante pensarmos que, em determinada altura, poderão deixar de esbracejar…e deixar-se levar pela forte maré contra a qual lutam.
Sabemos, e tivemos a prova, que nem sempre é possível marcar o golo que nos dará a vitória, por muita vontade que demonstrem.

Todos nós sabemos, mesmo que os adeptos rivais continuem a cacarejar de gozo, que somos o alvo mais fácil de abater, porque durante anos permitimos que se vincasse a bipolarização do futebol português, nos seus órgãos decisórios.
Aqueles árbitros que não gostam de nós não estão lá por acaso, pois muitos deles já demonstraram a sua competência em ajuizar mal…e porcamente.

A maioria daquela gente tem clube e, pior que isso, é incapaz de soltar-se dessas amarras.
Não gostam do Sporting, como eu não gosto deles.
Como disse Bruno de Carvalho, e volto a citar:

BdC: O futebol tem de acabar com a hipocrisia do "sou deste clube mas sou imparcial". Eu sou dedicado, honesto, mas se apitasse o adversário acabava só com o guarda-redes e para ver sofrer golos.

Mas, dado que esta linha de raciocínio pode ser associada a uma estratégia do clube, ou ao choradinho que muitos acusam de fazer parte do nosso discurso, volto também a recordar uma entrevista de Rui Jorge, curiosamente também um lateral-esquerdo, e canhoto, como os atrás referidos.
Jogou com as camisolas do porto (com a qual se identifica) e do Sporting (que tão bem defendeu).
Fala quem sabe, e que sofreu na pele de Leão.

Numa das primeiras entrevistas que deu pelo Sporting, afirmou que no Sporting não podia fazer o que fazia no Porto. Eram mesmo significativas as diferenças de tratamento por parte das equipas de arbitragem?
Pelos vistos, pelos vistos. Já disse isto várias vezes. Eu não mudei muito a minha maneira de encarar os jogos, de encarar as partidas, de encarar o próprio adversário e se forem ver o meu registo em termos de Porto e o meu registo em termos de Sporting notas uma grande diferença. É evidente que não posso justificar todas as situações porque para nós, os jogadores, é muitas vezes praticamente impossível provar que eles estão errados e não o conseguimos fazer. Havia alguma coisa, que não eu, que não estava a agir da mesma forma. A partir de determinada altura há uma quebra significativa.

Para bom entendedor, meia palavra basta.