sábado, 28 de abril de 2012

1,2,3...picadora Moulinex


Como não há duas sem três, o andebol do Sporting imitou o futebol e o futsal, na eliminatória europeia que hoje disputou.
Se nos tempos mais recentes, as expectativas relativamente a estas participações eram elevadas, e enchiam de novo de orgulho todos os adeptos que se revêem no ecletismo do clube, o certo é que a esperança de enriquecimento do nosso museu  foi-se desvanecendo, dia após dia. 
Foram 3 meias-finais europeias em 3 dias, foram 3 desilusões, quase sem tempo para as digerir.
Era possível qualquer dos cenários, desde a presença das 3 equipas nas  respectivas finais, até a eliminação de todas elas, passando até por um quadro intermédio de sucesso, mas foi o pior dos cenários possíveis o que se concretizou.
A picadora europeia Moulinex encarregou-se de reduzir os nossos sonhos europeus a uma amálgama de sentimentos, em 3 tempos. 
Se à partida era no futsal onde menos esperanças depositava, dada a diferença de valores que, em campo, se vieram a confirmar, o frustrante resultado de San Mamés acabou por depositar no duelo com o Barcelona as esperanças goradas na véspera. No entanto a lógica acabou por imperar, bem como hoje, na meia final da Taça Challenge, o "azar" ou a "sina" só vieram confirmar que aquela equipa não está talhada para grandes sucessos.
Esta análise pode parecer demasiado redutora, mas o facto é que, se exceptuarmos o grande êxito que constituiu a vitória nesta mesma competição, em 2010, e a Taça de Portugal deste ano, o percurso desta secção tem sido de mais baixos que altos, algo que não se coaduna com a nossa história.
Hoje mesmo o Porto sagrou-se de novo campeão nacional, e empatou a 17 os títulos conquistados, depois da nossa larga travessia num deserto de títulos e na hegemonia nortenha, tal como tem acontecido noutras modalidades de pavilhão, já que o futebol é aquilo que todos sabemos.
Não quero especular sobre a valia dos nossos jogadores, nem que esta equipa suíça estava perfeitamente ao nosso alcance. Empatar no computo geral da eliminatória mas ser eliminado por golos marcados fora é indiferente, pois é tão só uma fórmula de desempate, da qual beneficiámos nos 1/8 de final.
Devíamos era reflectir sobre a equipa que se apresentou sem soluções durante 50 minutos na 1ª mão, e que permitiu uma vantagem confortável ao adversário.
Devíamos era reflectir sobre a incapacidade de jogar em ataque organizado, desde há vários anos a esta parte, com confrangedora capacidade de meia distância.
Mesmo com todas estas lacunas, estivemos a poucos segundos de voltar a disputar uma final, onde partiríamos como claros favoritos, pois esta terá sido, em meu entender, a final antecipada.
Ricardo Tomás, vogal do Conselho Directivo do Sporting com o pelouro das modalidades, no final do encontro com o Wacker Thun, disse: “É um sentimento de profunda tristeza, porque facilmente se conclui, pelo que viu nos dois jogos, que a equipa do Sporting é superior e se calhar elementos exteriores ao jogo levaram a que o resultado não fosse outro."
Pois mesmo que lhe reconheça razão, era por demais evidente que isso iria acontecer, e mais incompreensível foi terem dado 50 minutos de avanço no Casal Vistoso.
Numa luta fratricida, o andebol sobreviveu no clube, num referendo que enviou para o purgatório o então campeão nacional de basquetebol. Este vai felizmente regressar com as nossas cores, assim como o râguebi, e o hóquei em patins está a um pequeno passo do seu regresso à primeira divisão, mas o meu sonho é o que todas essas modalidades se apresentem com projectos vencedores.
Esse sim é o verdadeiro Sporting.