segunda-feira, 9 de abril de 2012

O patinho feio


Depois de uma natural pausa pascal, eis-me de regresso, e logo em dia de derby.
Seja em dia de clássico, em dia de Natal ou no dia da Espiga, é sempre actual relembrarmos certos pormenores, que ajudam a colorir os duelos que opõem o Sporting a qualquer dos outros grandes.
Quem segue este blogue sabe a opinião que tenho sobre Djaló, ex-jogador leonino e, por portas-travessas, actual jogador encarnado.
Nunca fui admirador confesso do atleta, apesar de algumas boas exibições, mas também sempre achei que deveria ter sido valorizado para ser transaccionado como uma mais-valia, a exemplo de tantos e tantos atletas dos rivais, a quem se pode aplicar o sábio refrão "vender gato por lebre".
Nunca, mas nunca deveria ter ido parar a um adversário directo, para mais quando nem sequer fomos compensados pela sua formação.
Nunca, mas nunca seria capaz de o assobiar, como atleta de leão ao peito, tal como não o faria a nenhum outro que vista a nossa camisola.
Também seria incapaz, como muitos, de aplaudir Rúben Micael, quando jogou pela última vez com a camisola do Nacional em Alvalade, vá-se lá saber porquê (eu até sei) ao passo que alguns de verde e branco eram assobiados.
Isto são considerações pessoais, e admito que outros tenham outra maneira de encarar os nossos activos (como tanta gente gosta de apelidar ) ao ponto de criar ambientes negativos aos atletas do próprio clube.
Os adeptos do Sporting são, realmente, muito originais, por vezes.
Em dia de jogo grande, deparei-me com um artigo sobre o regresso do mal-amado, e quem melhor para opinar (uma vez mais) sobre Yannick  que  Francisco Cruz, olheiro dos encarnados e responsável pelo lar onde morava Djaló, quando ingressou na Associação Desportiva Estação, da Covilhã.
Pois, quando no final de Janeiro se soube que Djaló iria para o Benfica, este senhor teceu as seguintes considerações:

"Yannick Djaló foi sugerido ao Benfica, "o seu clube de coração", antes de seguir para o Sporting. A revelação é feita em Bola Branca pelo olheiro dos encarnados Francisco Cruz, responsável pelo lar onde morava Djaló.
O jogador foi sempre benfiquista, como garante Francisco Cruz: "O Yannick, na altura, posso confidenciar, era mesmo um benfiquista ferrenho. Ele gostava imenso de ir para o Benfica, mas, como lhe apareceu a hipótese de ir jogar para o Sporting, ele aproveitou. Quando era jovem, o Yannick Djaló já era um benfiquista ferrenho. Na altura, juntei o útil ao agradável, porque era treinador do Estação, mas também era 'olheiro' do Benfica. Mas não o quiseram e abriram agora os olhos."

Não sei se a opção foi da Renascença ou de Francisco Cruz, mas ficámos a saber que Djaló era, afinal, mais um "infiltrado" no coração do leão.
Ontem, o senhor da Covilhã voltou a contar a história, mas esta tem mais capítulos.
Não me parece que se tivesse lembrado de repente, ou talvez sim, mas parece-me importante que a verdade seja sempre reposta.
À maioria não lhe interessará saber, mas eu gosto que gostem do Sporting mas, acima de tudo, que as mentiras, as inverdades ou as omissões não se imponham.

"Francisco Cruz não estranha, mas nota a diferença: ao contrário do que acontecia, este ano não recebeu a habitual chamada de Djaló. «Ligava-me antes de cada derby a dizer que ia marcar ao meu clube», conta. «Eu respondia-lhe que até podia marcar dois, desde que o Benfica fizesse três».
Agora, e pela primeira vez, Yannick vai entrar vestido de encarnado em Alvalade. O que pode ser um choque. «Ele quando aqui estava era benfiquista. Mas depois foi para o Sporting, eu perguntava-lhe se não sentia ainda uma coisinha pelo Benfica e ele respondia que não. Que era sportinguista.»
Como qualquer sportinguista, queria que o rival de todos os dias perdesse exactamente todos os dias. «Agora vai estar com muita vontade de fazer um golo.» Ele que um dia disse ser filho do Sporting. Os adeptos nunca o receberam como se recebe um filho: hoje podem assobiá-lo mais do que nunca."

Ou seja, da entrevista de Fevereiro a esta só passaram 3 meses, mas Yannick passou de benfiquista ferrenho para sportinguista.
Não é que agora faça grande diferença, mas nunca é demais repor a verdade, para não se tornarem eternas mentiras, como muitas que tomaram conta do nosso futebol.
Só espero que os adeptos do Sporting não o recebam agora como saudaram Rúben Micael quando se despediu, em Alvalade, do Nacional, antes de ingressar no Porto(!!!), mas tenho pena que Djaló tenha saído do Sporting com o estigma de patinho feio.
Acredito que Yannick continuará com uma costela sportinguista, visto ter tido uma ligação de 10 anos ao clube, e compreenderá, agora, que veste a camisola rival e esse peso paga-se.
Não lhe desejo a sorte toda do mundo, porque essa é contrária, neste momento, aos interesses sportinguistas. A melhor sorte do mundo, essa, reservo-a sempre para os nossos atletas, sejam eles quem forem.