sexta-feira, 20 de abril de 2012

De jogar as mãos à cabeça


Isto é jogar à Sporting, seja lá o que isso for.
O Sporting não tem, historicamente, um tipo de jogo que se reconheça, como algumas equipas que fazem escola, mas jogar à Sporting tem que ser jogar para ganhar...(e ganhar). 
Por isso, reconheço que Sá Pinto está a criar escola.
Fazer um balanço deste jogo é tarefa ingrata, porque ao mesmo tempo que nos sentimos orgulhosos por uma exibição que calou (por momentos) os perús espanhóis, sempre inchados e com um ego que faz rebentar as costuras, por outro sabemos que podíamos ter liquidado a história desta meia-final, mas "optámos" por deixar os espanhóis vivos e de boa saúde.
Ver este jogo fez recordar o derby da última jornada do campeonato, com a diferença dos equipamentos. 
Um Sporting que soube preencher os espaços, que soube quase sempre o que fazer à bola, um Sporting com uma intensidade altíssima, um Sporting que perdoou, uma vez mais, uma goleada que poderia ficar para a história. 
Estes dois jogos tiveram esse paralelismo, com a diferença que, enquanto no duelo ante o Benfica, golear significaria dar verdade ao jogo mas, essencialmente, dar corpo a uma rivalidade histórica, no jogo de hoje ter perdoado uma goleada poderá significar ver pela televisão um jogo em Bucareste que os nossos jogadores, uma vez mais, fizeram por merecer. 
Apesar de, novamente (a exemplo do que sucedera com o City) partirmos como o patinho feio, esta primeira parte da eliminatória trouxe de volta à terra  não só alguns espanhóis, que julgam que são o umbigo do mundo, e tudo gira à sua volta, como de alguns sportinguistas, que achavam não ser possível vencer ao mini-Barça.
Por momentos pairou no ar a tremenda injustiça que seria não vencer o jogo, mas que o futebol, e o desporto em geral, são tantas vezes pródigos.
Valeu o penalti de cabeça de Insua e a raiva de Capel, que trataram de dar expressão ao caudal ofensivo do Sporting.
Dizem os espanhóis (e alguns portugueses) que se aquela bola de Amorebieta ao poste tivesse entrado, teria sido a estocada final.
Pois, pergunto eu, e o que teria acontecido se a grande penalidade tivesse sido assinalada, se alguma das 3 ocasiões claríssimas de Wolfswinkel tivesse entrado, ou a de Insua, Carrillo ou João Pereira?
Já que falo de opiniões, é curioso verificar nos media espanhóis a unanimidade da justiça da vitória leonina, assim como o facto do resultado ter sido muito curto para o que se passou em campo, mas atribuem esses factores ao sub-rendimento do Bilbao.
Pois, mais do que ser eu a dizer, aqui fica a opinião de Fernando Llorente:
"Não estivemos como noutros jogos, mas a culpa é do Sporting, que fez um grande jogo."
Contudo, acho ter havido um pormenor na parte final do jogo, onde a diferença de ritmo era notória, que pesou a nosso favor. Os 3 jogos que o Bilbao efectuou, no espaço de 10 dias, contra nenhum do Sporting, pode ter pesado nas pernas dos jogadores, algo que não acontecerá no jogo da segunda mão.
É imperioso o Sporting apresentar contra o Nacional, a exemplo do jogo de Leiria, uma equipa de recurso, sejam quais forem as consequências.
No jogo da segunda mão haverá outras condicionantes que poderão marcar a eliminatória. A ausência de Izmailov parece-me ser muito mais preponderante que a de De Marcos, pois o russo está numa forma irrepreensível, a exibir-se a um nível altíssimo, e neste momento não vejo quem possa pautar os ritmos da posse de bola, como ele o tem feito.
O regresso de Matias também marcará o de Javi Martinez, que conferirá mais equilíbrio ao meio-campo basco, pelo que parece-me que ficaremos a perder, nestas ausências e regressos.
O Athletic já passou por uma situação semelhante, quando eliminou o Lokomotiv de Moscovo, ao perder por 2-1 na Rússia e vencer por 1-0 em casa, e a marcar o golo da classificação para os 1/8 de final a jogar só com 10.
As equipas guerreiras são assim, mas também o Sporting tem demonstrado essa faceta, bem como superar eliminatórias onde levou um perigoso 2-1, como a última com o Metalist.
Para finalizar, se ambas as equipas se entregaram com denodo, e nas bancadas se viveu um ambiente fervoroso, mas fraterno e saudável, o senhor Eriksson (não sei se será problema do apelido) pareceu gostar muito do vermelho e, para lá de ter perdoado amarelos a jogadores bilbaínos, que os afastaria do segundo jogo, ainda perdoou uma grande penalidade, que daria outro curso a este encontro.
Por esta ordem de razão, é impossível saber o que poderá pesar mais no jogo da 2ª mão.
Se os adeptos bascos e a generalidade dos entendidos dizem que o ambiente na Catedral (San Mamés) é único e inigualável, que o Sporting irá sofrer as consequências do clima infernal que aí se faz sentir, e ao qual o facto das bancadas ficarem a "10 centímetros" do campo provavelmente não serem alheios, também fica por saber como o árbitro a escolher (ou já escolhido) irá responder a este ambiente, ou a outros valores que se levantam.