terça-feira, 10 de abril de 2012

Diferenças e semelhanças


Já longe vão as emoções do derbi ontem disputado, mas ainda vou a tempo de fazer algumas considerações. 
Ontem reservei o pós-jogo a desfrutar o momento, a ver e rever os lances mais significativos, a ouvir mil e uma opiniões, e deixei para hoje a habitual crónica do jogo.
Mesmo que o desenrolar do jogo, as principais incidências e a maioria das opiniões destaquem a justiça da vitória do Sporting, assim como em igual medida a escassez na diferença dos números, há sempre um visionário a contestar tudo o que aconteceu em campo. 
O mesmo sujeito que acha que o penalti que ficou por marcar no primeiro minuto de jogo condicionaria os restantes 89 minutos (+ descontos)... acha que os encarnados criaram a melhor ocasião de golo da segunda parte.
Esta mirabolante e sui generis apreciação do jogo eleva a níveis, quase de fábula, as intervenções do treinador adversário.
O mesmo sujeito que diz nem fazer a ideia do que é um bloqueio, que esse tipo de estratégias são primazia do basquetebol,e assistimos à tentativa atabalhoada de bloqueio em andamento de Nelson Oliveira a um defesa leonino, leva-nos a crer que, cada vez que Jesus abre a boca, ou é mentira, ou é atoarda, ou é desculpa ou asneira. 
O que vale é que, pelo menos a mim, por vezes faz-me rir e chega a alegrar os dias mais cinzentos.
O jogo, esse, fica logo pautado pelo grande ambiente que mais uma vez se viveu nas bancadas.
É quase caso de estudo que, em Portugal, uma equipa grande, arredada há muito das grandes decisões, tenha sucessivamente manifestações de apoio tão eloquentes, ao contrário do que é a própria história da colectividade. É normal o divórcio dos adeptos em épocas como esta, mas  esta está a servir para contrariar essa sina.
Ainda havia gente a entrar no estádio e já o Benfica se queixava da existência de uma grande penalidade a seu favor. Apesar da entrada fora de tempo de Polga, apesar de no Núcleo serem muitos os que consideram ser uma penalidade inequívoca, eu continuo sem conseguir vislumbrar o momento exacto do contacto entre os jogadores. O carrinho de Polga começa bem dentro da área, mas o que interessa, para analisar a evidente falta, transformada em pontapé de canto, é o momento do contacto e não a cabeça, as orelhas ou o umbigo do nosso central.
Aliás, o painel de árbitros do jornal O Jogo não é unânime na apreciação ao lance, precisamente pela dificuldade em definir o local do contacto dos pés de Polga com Gaitan, pelo que continuarei a defender a minha dama, até que me provem o contrário.
Depois do desnorte inicial, que indiciava mais um passeio triunfal do Benfica em Alvalade, as marcações a meio campo começaram a ser mais eficazes, e por volta dos 15 minutos apagou-se...a chama intensa, e passaram a ser simples fogachos, as incursões adversárias na nossa defesa.
O domínio da posse de bola era concedido e circunstancial, numa táctica que tem dado resultado perante equipas que se crêem superiores. Os 65% de posse de bola final foram inversamente proporcionais às oportunidades criadas, isto já sendo pessimista.
Após o golo de Wolfswinkel, então, saltou à evidência que com a atitude e consistência que a equipa demonstrava, só mesmo através de uma das inúmeras bolas paradas que o adversário beneficiou é que poderia, por obra e graça de algum bloqueio que eles não fazem ideia como acontece, é que poderia surgir o imprevisto.
As alterações impostas por Jesus, ao invés de conferir mais poder ofensivo, proporcionaram uma equipa desequilibrada na transição e organização defensiva, e por esse país fora gritou-se golo meia dúzia de vezes. Infelizmente não entrou nenhum, mas nunca esteve em causa a nossa superioridade.
Tal com noutras vitórias, em que a exibição global foi bastante positiva, não vou fazer destaques individuais, mesmo que existam 3/4 jogadores que se tenham exibido a um nível superior. Não quero estar a focalizar em exibições individuais o mérito colectivo que esta vitória teve.
Ao invés de muitos, não fiquei particularmente eufórico com esta vitória. Como disse Matias, são simplesmente 3 pontos, num campeonato sofrido e longe dos nossos objectivos, mesmo que saiba que uma vitória perante o rival tem sempre um sabor especial.
Sei também que o inverso é uma realidade insofismável, por isso, aos caros benfiquistas que lerem está crónica, não se iludam com esta constatação, pois o vosso sentimento é tão forte quanto o nosso.
Dado que esta rivalidade é a mais antiga e mediática do futebol português, o facto de afastar quase definitivamente o Benfica do título tem aquele sabor especial, mas quando penso que se está a oferecer em bandeja de prata mais um título, ao clube que mais tem contribuído para o enfraquecimento do Sporting, esse sabor já passa a agri-doce.
Para finalizar, queria apoderar-me de um pensamento de Jesus, relativamente ao que ele considera o momento do jogo. 
Se o Sporting, no 1º jogo do campeonato, onde fomos espoliados de um penalti aos 11 minutos, um golo mal invalidado aos 70, bem como duas expulsões por concretizar a jogadores do Olhanense num jogo onde acabaríamos por empatar 1-1, teríamos um campeonato totalmente diferente. 
A semelhança é que nesse, como no jogo de ontem, fomos muito superiores.