sexta-feira, 13 de abril de 2012

Trunfo na manga


Ontem podia ler-se, para os mais curiosos e atentos a  estatísticas, os números recorde (tal como a publicação) que Capel leva esta época, bem como o currículo do espanhol em competições internacionais que, segundo o jornal em causa,  pode ser um trunfo muito importante para Ricardo Sá Pinto utilizar nas decisivas partidas que se aproximam.
Contudo, o que mais me chama a atenção é a continuidade na teoria que o Sporting e alguns dos seus jogadores têm vantagem, perante o Athletic Bilbau, pela experiência e currículos adquiridos.
Ainda não é hoje que vou apresentar e justificar a minha opinião, relativamente a esta eliminatória, mas no que concerne a esta vantagem que alguns expert nos atribuem, tenho as minhas dúvidas.
Diz a publicação que Capel tem no seu currículo, entre outros, uma Supertaça Europeia, um Campeonato Europeu de sub-21 e duas Taças UEFA. Sem querer retirar mérito ao extremo espanhol, convém no entanto recordar que na época 2005-2006, Capel jogou 18 minutos na fase de grupos da UEFA, não voltando a dar o seu contributo, até terem levantado o troféu. No jogo da final nem sequer esteve no banco, num plantel, aliás, de grande valia e que dominou esta competição durante dois anos consecutivos.
Na época seguinte o cenário foi parecido, e Capel teve direito a jogar 70 minutos de um jogo dos 1/16 avos de final, numa eliminatória já resolvida.
Mais uma vez não constou no lote de 18 que estiveram na final de Glasgow.
Também na Supertaça Europeia não chegou a fazer parte dos escolhidos para o jogo do Mónaco.
Há inúmeros atletas que também constam do rol de vencedores de uma determinada competição, não tendo no entanto dado contributo de relevo, mas para o currículo individual estes pormenores pouco contam.
Não quero com esta apreciação diminuir o mérito que Capel tem esta época, e desejo-lhe os maiores sucessos individuais e colectivos, mas temos que relativizar alguns dados.
Quero, no entanto, contrariar algumas teorias que me parecem despropositadas. Não é a primeira vez que nos vejo ser atribuído favoritismo, por alegadamente termos mais experiência histórica, enquanto clube.
Não vejo é onde entra, no capítulo dos prós e contras, o facto de termos mais experiência internacional, adquirida em dezenas de anos de confrontos europeus.
Este exemplo de Capel é significativo, e felizmente este ainda pode contar aos netos os seus feitos, algo que poucos  atletas leoninos o poderão fazer.
Esperemos que este vazio seja preenchido em breve, para orgulho da família leonina.
Do lado bilbaino, Fernando Llorente e Javier Martinez, campeões do Mundo em título, Aitor Ocio, 2 Taças UEFA com o Sevilha, Mikel San José e Ander Herrera e Iker Muniain, campeões da Europa de sub-21 têm currículo de fazer inveja, e que fazem pequeno o feito apontado a Capel.