quinta-feira, 19 de abril de 2012

Miragem


Quando faltam menos de 5 horas para começar o importante jogo das meias-finais da Liga Europa, a primeira coisa a reter é que já tenho a pulsação mais elevada.
Acabo de ver na tv os milhares de adeptos bilbaínos nas ruas de Lisboa, onde também eu gostaria de estar mas, por opção, ficarei a sofrer no sofá este duelo ibérico.
Sofrer, sim, porque ao contrário de algumas pessoas, eu sofro muito mais ao seguir as incidências na rádio ou televisão, ao contrário dos jogos ao vivo, onde acompanho com a dose de entusiasmo que o jogo peça mas, estranhamente, a calma se apodera de mim.
Por esta razão também deveria ter optado por ir ao estádio mas, a comitiva da Carapinheira já partiu.
Tinha pensado e, posteriormente, preparado uma análise exaustiva à equipa do Bilbao mas,  a esta distância do jogo e com a quantidade de informação que está disponível, acho desnecessário saturar os leitores com questões importantes, mas acessórias.
Se para os mais distraídos, há um mês atrás os nomes de Muniain, Llorente, De Marcos, Iraizoz ou Javi Martinez eram desconhecidos, agora, acredito que a maior parte dos sportinguistas esteja minimamente familiarizado com estes ou outros jogadores bascos.
O mesmo acontecerá do lado espanhol que, tal como alguns de nós, respeitará minimamente a nossa valia, o que não se aplica à maioria dos adeptos do Athletic, que mesmo que muitos não se revejam na Espanha que os acolhe, no que se refere à prepotência e mania de superioridade tem os genes dos seus conterrâneos espanhóis. Para esta constatação, bastaram poucas visitas a sites espanhóis onde se comenta a eliminatória, e verificar que só não estão de acordo na diferença de golos com que nos vão derrotar. A presença em Bucareste, essa, está garantida, segundo a esmagadora maioria dos adeptos.
Se essa certeza está interiorizada pelos adeptos espanhóis, a dúvida que me assiste tem a ver com a casa prevista hoje para Alvalade. Ontem pude ler, através de um comentário, que a lotação estava longe da importância que o embate pressupunha mas, quero acreditar que os nossos adeptos não deixarão de marcar presença em grande número (mesmo que o jogo pedisse lotação esgotada) e deste modo disfarçar as cadeiras que teimam em colorir as nossas bancadas. 
Esta época, as competições europeias têm sido largamente dominadas pelas equipas espanholas. Pode dar-se o caso, que não me agradaria nem um pouco, de termos duas finais europeias pintadas de amarelo e vermelho. Isso pressuporia que a Supertaça europeia também seria falada em castelhano mas, por estes dias, os bravos sobreviventes alemão e inglês da Champions quiseram demonstrar que o favoritismo mede-se em campo e que, felizmente, há vida para lá de Barcelona e Real. Ainda falta a segunda mão para  confirmar-se (ou não) a final que todo o mundo, as televisões e a própria UEFA querem.
Na Liga Europa o resistente à fúria espanhola e heróico sobrevivente chama-se Sporting Clube de Portugal, e tem a sorte traçada, como a que é apontada a Chelsea e Bayern.
Não precisaria dar o exemplo de ontem para constatar que, afinal, talvez tenhamos a nossa oportunidade de, pelo menos, vencer um dos jogos em compita.
O Chelsea não teve pudor em reconhecer a superioridade da melhor equipa do mundo, jogar em 30 metros de campo e esperar uma oportunidade. Travestiu-se de Feirense, contra um qualquer grande, e deu o golpe de misericórdia.
Hoje, acredito que o Sporting dará a bola ao Athletic, tal como tem feito com os que se crêem maiores, que os grandes da Europa.
Espreitará a sua oportunidade, lutará como o tem feito nos últimos jogos, e espero que tenha a estrelinha que tantas vezes lhe falta, porque é tão necessária quanto a entrega e a qualidade.
A menos que aconteça uma hecatombe para qualquer dos lados, nada se decidirá hoje, mas espero que o resultado nos permita começar a acreditar que Bucareste...não é uma miragem.