terça-feira, 22 de outubro de 2013

Auditoria ao carácter

No fim-de-semana, à margem da boa exibição leonina no jogo da Taça, mesmo tendo em consideração que o rival milita nos distritais, não passou despercebida a entrevista de um ícone da formação leonina.
João Moutinho.
Das suas palavras, sobressaíram as que mais tocam no coração:

"Neste momento, como é natural, não penso voltar ao futebol português, mas se voltasse era para o FC Porto que gostaria de ir. Estou muito agradecido ao Sporting por tudo aquilo que me deu, mas eu também dei o meu melhor pelo Sporting. Fui um profissional a 100 por cento. Mas o FC Porto marcou-me imenso e é o clube que continuo a apoiar e espero que ganhe o campeonato e as competições em que participar, menos se defrontar a equipa que estou a representar..."

Para muitos, o tema abordado pelo nosso ex-jogador não merece o mínimo comentário, mas as declarações acabaram por merecer destaque em vários programas televisivos.
No da RTP Informação, Manuel Fernandes, António Oliveira, Toni e Rui Caracoletas Santos teceram várias considerações, mas este último, apoiado por Oliveira, chegou a considerar que os jogadores só estão gratos aos clubes que os tratam nas palminhas.
Consideraram que Moutinho foi maltratado no Sporting, e que as ofensas a que foi sujeito pesaram na sua actual predilecção clubística.
Alegaram ainda que Moutinho foi sempre 100% profissional com todas as camisolas que vestiu, mas eu tenho a sensação de ter lido, por diversas ocasiões, que o jogador esticou a corda durante uma pré-época, que obrigou Paulo Bento a abdicar da sua contribuição.
Nessa altura a fruta já tinha bicho, mas se alguém se deveria sentir incomodado pelo tratamento seria o Sporting.
Apesar de estar no patamar salarial mais elevado (sinónimo de que era muito maltratado em Alvalade) continuava a soar a vontade do João Pequeno em sair, fosse para onde fosse.

Ontem, outro programa desportivo, de novo com o tema formação do Sporting no ponto de mira, em virtude da referida entrevista.
Perante tantas declarações e opiniões, penso ser propício recuperar a de Costinha,  director-desportivo do Sporting na época em que o jogador foi vendido, onde afirmou que o clube “leonino” tentou manter João Moutinho no plantel, “mas o atleta nunca se mostrou cooperante num entendimento”.

 “Quando esta equipa técnica chegou ao Sporting, perguntei se seria boa solução manter um atleta que não estava satisfeito. Viemos a verificar ao longo da pré-época, apesar do comportamento normal nas primeiras semanas, que o jogador não mostrava o comportamento que desejávamos. Confirmou-se com a recusa em querer treinar que uma transferência estava planeada na cabeça dele. Tentámos demovê-lo dessa situação mas o atleta nunca se mostrou cooperante num entendimento.A decisão de deixar sair Moutinho teve o objectivo de “fortalecer o grupo” para ter “um Sporting sério e forte”. “Não queremos atletas com a responsabilidade de João Moutinho, que não se importam de trocar o Sporting por qualquer clube e a qualquer preço. Não vou desejar sorte ao João porque seria desejar sorte a um rival. Vejo-o partir com normalidade. Não basta formar jogadores, temos também de formar homens”.

Se é verdade que o caso Moutinho já está mais que enterrado para os sportinguistas, as declarações do jogador do Mónaco e as opiniões de alguns paineleiros voltaram a exumar o assunto, e alargou a discussão ao facto do nosso clube ter antecedentes de jogadores ingratos.
De facto, os casos $imão $abrosa e, mais recentemetne, Bruma e I£ori, podem querer demonstrar que o clube necessita urgentemente da tão falada auditoria, mas ao nível do carácter dos jogadores da formação.

Podia ser merecedor de estudo o facto de jogadores saídos do Sporting, que entraram crianças e saíram com a sua personalidade formada, continuem a demonstrar publicamente um défice de carácter.
No entanto, a esmagadora maioria dos jogadores que não fazem capas de jornais com entrevistas que podem estar a mando de interesses duvidosos podem desmentir essa tese, e reforçar a ideia de que em todo o lado existem, pura e simplesmente, as ovelhas negras de um grande rebanho.
É verdade que o balir de alguns destes espécimes incomoda mas, em última instância, prefiro ter em conta outros princípios.
Moutinho diz que era para o Porto que preferiria vir, caso regressasse a Portugal.
Mas alguém lhe disse que o Sporting o quereria?
Estou certo que, como eu, a maioria preferia ver de verde-e-branco um indigente do que alguém que não é gente.