quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Há mar e mar...há cuspir e voltar

As únicas semelhanças entre o nosso ex-jogador Insúa e o portista Josué é o facto de ambos serem canhotos e terem mostrado ser os cuspideiros mais rápidos do Oeste, a ponto de poderem derrotar o célebre Lucky Luke.
Tudo o resto não passa de meras coincidências.

Se atentarmos à cuspidela de Insúa, em jogo da Taça da Liga, no dia 29 de Dezembro de 2012, podemos constatar que a justiça foi célere.
Não posso dizer que a justiça tenha sido cega, caso contrário não poderia ter visto o que as televisões mostraram.
No entanto, caso os conselheiros estivessem distraídos, o Rio Ave tratou logo de se queixar, de modo a que a atitude do argentino não passasse impune.
No dia 4 de Janeiro ficou a saber-se que Insúa teria um castigo de 2 jogos, e no dia 5 de Janeiro já não  esteve presente na derrota caseira com o Paços de Ferreira...por onde andavam Josué e Paulo Fonseca.
Além disso, apanhou uma multa de 714 euros.

Se a justiça não tivesse dois pesos e duas medidas, o castigo a Josué deveria ser conhecido na próxima 6ª feira, precisamente o lapso de tempo que levaram a julgar o caso Insúa.

No entanto, os casos têm algumas nuances que podem alterar o percurso normal da justiça.
Logo à partida, se o Rio Ave condenou a atitude de Insúa, já o jogador do Arouca que levou com o cuspo de Josué parece não ter dado muita importância ao facto:

“Sinceramente, queria que nem se falasse disso. Prefiro nem confirmar. O que se passou são coisas normais num jogo de futebol, coisas que acontecem. Houve uma troca acesa de palavras mas nada de especial. Tudo aconteceu numa disputa de bola mas eu já nem me lembro do lance.”

Disse também que “ o melhor é esquecer o assunto".


Ahhh, são coisas normais num jogo de futebol.
Eu também já tinha reparado que os jogadores passam os jogos a cuspir para o relvado. Um valente escarro, depois de um vigoroso sprint é das coisas mais corriqueiras que se podem ver.
Uma cuspidela num colega de profissão, antes de um lançamento lateral, vem logo a seguir, no campo das banalidades.
No entanto, ser cuspido por um amigo é sempre uma sensação especial.
É que eles foram colegas no Penafiel e as amizades ficam para a eternidade.

Entretanto, parece que o Conselho de Disciplina da FPF deu indicação à Liga para abrir um inquérito ao comportamento de Josué, mas como um dos meios de prova é auscultar os intervenientes no caso, quer-me parecer que nenhum dos dois se terá apercebido de algo anormal.

No entanto, pode dar-se o caso de alguns conselheiros acharem desajustada a dualidade na abordagem ao caso, pelo facto de terem aberto um precedente com Insúa e o Sporting.
Assim, ao tentar fazer um paralelismo entre as duas cuspidelas, podem considerar a de Insúa muito mais grave.
Se fizerem uma análise química à saliva de ambos, podem chegar à conclusão que a do argentino é muito mais corrosiva, por causa da ingestão compulsiva de picanha das pampas.
Além disso, a pontaria do argentino também pode ter-lhe sido prejudicial.
É que Insúa acertou na mouche, enquanto Josué pode ter atirado ao poste.


Assim, não seria de estranhar se o Conselho de Disciplina demorar 9 meses a tomar uma decisão, pois as análises demoram o seu tempo a chegar.
Lá para Julho poderá sair a pena, que levará em conta o facto de não ter antecedentes.
O rapaz já não cuspia desde a Escola Primária.
Dois dias sem ir à praia da Aguda poderá ser uma pena adequada.
Poderá ainda ser condenado a rezar dois Pai-Nossos e a comprar uma caixa de toalhetes, no valor de 2,85€, que deverá entregar a Luís Dias, o defesa do Arouca.
Na pior das hipóteses, apanhará um jogo de suspensão, a cumprir no jogo da Taça. 
Quem sabe...até só 45 minutos de castigo.
Ao intervalo já pode entrar, a contento de todos, pois já terá expiado as culpas.