quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Coesão ou corrosão

Um dos sectores da equipa de futebol que não tem passado despercebido é o ataque.
É inevitável falar da veia goleadora da equipa, mas pode causar-nos calafrios pensar que a equipa é Monterodependente.
No entanto, é com agrado que podemos verificar que os médios, e mesmo os defesas, já fizeram o gosto ao pé ou à cabeça, pois é fundamental que, para o "inimigo", o perigo possa vir de qualquer lado.
Menos mediática mas igualmente relevante tem sido a prestação defensiva.
Se os 19 golos marcados deixam o Sporting isolado, em matéria de eficácia ofensiva, os 4 sofridos põem-nos, a par do Porto, como a melhor defesa.
Costuma-se dizer que os ataques ganham jogos e as defesas campeonatos, daí que este parâmetro deva sempre merecer a máxima atenção.
Se os portistas costumam ocupar esta posição pela qualidade intrínseca de alguns dos seus jogadores e pela qualidade de algumas arbitragens, já o Sporting costuma mostrar a sua debilidade na rectaguarda, sustentada também nalgumas arbitragens que ainda corroem mais o frágil edifício defensivo.
Se nas últimas épocas tem sido vulgar sofrermos golos em excesso de bola parada (como mero exemplo) não é menos vulgar sermos carcomidos por personagens como Carlos Sulfúrico Xistra, Duarte Nítrico Gomes,  Bruno Fluorantimónico Paixão ou João Fosfórico Capela.
Aliás, quase seria capaz de apostar que, no próximo jogo no Dragão, iremos ter Jorge Fluorídrico Sousa com o apito.
A questão prende-se, portanto, entre coesão e corrosão defensiva.

A verdade é que a construção do plantel levantou muitas dúvidas acerca da qualidade individual de alguns atletas, e como essas menos-valias se conjugariam, enquanto bloco defensivo.
Cédric e Rojo transitavam de uma época extremamente negativa, e com um rótulo da testa que dizia: "Fora de prazo - devolver".
Maurício vinha da segunda divisão brasileira, e foi recebido com um cacarejar histérico dos rivais.
Jefferson vinha de um clube recém-promovido e, pelo preço, novamente se fez ouvir o estridente cacarejo, porque aquela malta só compra caro e bom, como se pode constatar pelos laterais-esquerdos que têm poluído o futebol português.
Depois ainda surgiam os adolescentes Dier e Semedo ou o desconhecido Piris.
Com este naipe de jogadores, parecia garantido que o pior estaria para acontecer.
A verdade é que, até ao momento, a soma destas nulidades resultou numa linha quase intransponível mesmo que, aqui e ali, tenha tremido...como todas as outras. 
Quem se tem assumido como patrão da defesa tem sido Maurício, o tal que suscitou ironia e desdém, de rivais e jornalistas.
Sim, porque ainda me recordo de condenações prematuras a esse jogador, baseadas no seu clube de origem.
No entanto, apesar das jornadas decorridas, penso ser ainda cedo para tecer grandes considerações e para o colocar em qualquer patamar.
É que tivemos casos de ídolos permaturos, que resultaram em ódios de estimação.
Lembro-me, por exemplo, dos bons primeiros 6 meses de Grimi, de leão ao peito, a contrastar com os intermináveis meses seguintes, em que maldissémos a nossa sorte.
No entanto, em comparação com Marian Had, Grimi ficará para a eternidade.
E o que dizer de Polga, o campeão do Mundo...do pontapé para o infinito.
Também teve duas épocas fantásticas, mas o pior foi o que se seguiu.
No entanto, quem viu jogar com a nossa camisola  Gladstone, Nuno A. Coelho ou Boulahrouz, ficará grato por ter tido Polga todos esses anos.

Mas, a quem devemos agradecer o facto de, até ao momento, Maurício ser o patrão da nossa defesa?
Não, não é a Bruno de Carvalho, Inácio ou Jardim.
Devemos agradecer a Roberto Dias, que foi notícia em Julho por ter recusado o Sporting para ir para o Paços de Ferreira.
Esse é o grande responsável pelo actual bom momento defensivo do Sporting.
Tenho pena que, passados 15 dias, o Paços tenha dispensado o jogador.
A sorte é que as malas ainda estavam por desmanchar, e acabou por apanhar um voo para a Roménia, onde ainda nem sequer calçou as chuteiras.
Da minha parte, obrigado por nos teres rejeitado, amigo Roberto.
Ficarei grato para sempre ou, em versão cautelosa, enquanto Maurício mantiver o brilho da sua aura.