segunda-feira, 28 de outubro de 2013

São 11 contra 11, e no final...

Eram altas as expectativas dos adeptos sportinguistas, que tinham a possível liderança do campeonato no pensamento.
Também eram altas as expectativas dos portistas, desejosos de calar o presidente BdC e o seu populismo, como diria o populista Rui Moreira.
A verdade é que há algum tempo que não via um ambiente tão quentinho, numa visita do Sporting ao porto, e esta pode ter sido uma pequena vitória de BdC.
Mas, a verdade, é que a única vitória possível, se quisermos ser pragmáticos e objectivos, é vencer no campo e dar uma alegria a todos os que sentem a nossa causa.
Isso não foi possível, por vários motivos, mas podemos analisar a derrota e as suas consequências por diversos prismas.
Em primeiro lugar, era uma derrota previsível e esperada.
O porto não perde no Dragão para o campeonato há mais de 5 anos, e seria pouco provável que uma equipa de inexperientes jogadores o fosse fazer, sabendo que nem uma equipa matreira, líder do campeonato e com o rei da táctica no banco o conseguiu fazer, há uns meses atrás.
Acabou por vir à tona essa mesma inexperiência, em momentos cruciais do jogo, mesmo que o 3-1 final seja um resultado que possa denotar algumas facilidades.
Na minha óptica, apesar do treinador portista dizer que foram a melhor equipa, não consigo encontrar nenhum parâmetro do jogo onde possam ter sido melhores, a não ser na eficácia ofensiva.
Isso, e num apartado que, em inúmeras ocasiões, ajuda a perceber para que lado vai cair o jogo. Entendo que foi na quantidade de bolas divididas ganhas pela equipa azul-e-branca que o jogo caiu para o outro lado da balança.
Até na posse de bola (50/50) ou nos remates à baliza (14/11) a estatística pode provar que o jogo poderia perfeitamente ter acabado empatado, mas o certo é que a realidade não se compadece com números.

Mas, por falar em números, diria que um dos mais experientes do plantel foi o primeiro a borrar a pintura, aos 10 minutos de jogo, num penalti que se adivinhava, assim que Maurício acorreu à dobra do seu lateral.
Com os seus sabidos 25 anos devia ter pressentido que aquele lance teria que ser controlado de outra forma, até porque o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita.
O encarregado de bater o penalti foi, nem mais nem menos que...Josué, o jogador que não deveria ter jogado este clássico, em virtude da cuspidela que foi julgada ter menos saliva que a de Insúa.

A primeira parte foi decorrendo de modo insoso, de parte a parte, e se estas eram as duas melhores equipas do campeonato, nem queremos  imaginar as outras.
O melhor que aconteceu neste período foi o apito do árbitro para o intervalo.
Aquele som foi tão melodioso que pensei estar a ouvir o "Arabesque", de Claude Debussy.
Já a segunda parte mostrou duas equipas mais seguras na circulação de bola, mas o Sporting esteve quase sempre por cima do jogo.
A necessidade imperiosa de procurar do empate nem sempre é suficiente para uma equipa "mandar no jogo", pois é necessária qualidade e personalidade para o conseguir fazer, e muitos foram os anos que visitámos o Dragão e o acumular de golos era uma consequência natural da lei do mais forte.
Desta vez o Sporting teve qualidade para, em pleno Dragão, obrigar o porto a recuar e jogar em contra-ataque.
Não digo que o golo do empate fosse o corolário do domínio leonino, mas também o golo inaugural do porto surgiu de um imenso nada.
Quando aconteceu o golo de William Carvalho, logo a cabeça se pôs a fazer contas.
-"A equipa do porto está desgastada pelo jogo de meio da semana, e quando rebentarem de vez vai ser uma questão de tempo até surgir o 2º. Pode até ser no último suspiro, como aconteceu em Braga!!"

Não passaram de pensamentos desajustados à realidade, e esta aponta para uma equipa ainda com algum défice de indentidade, e alto grau de imaturidade.
Só assim se justifica que, em plena celebração do golo leonino, já o porto estivesse a fazer o 2-1.
Uma vez mais um lance onde a defesa denota algumas carências, e em que um simples 1x1 (Danilo/Rojo), dentro da área, permite um remate sem qualquer oposição.
Rojo, esse, ficou de joelho no chão...numa figura que julguei primazia de  Jejuns, e que imortalizou também naquele relvado.
Mas, quanto a mim, o momento do jogo dá-se uns minutos depois.
Aos 68 minutos, Cedric faz um cruzamento milimétrico e Montero, de cabeça, num lance em tudo idêntico ao golo contra o Benfica, remata para defesa de Helton.
Foi a melhor oportunidade de todo o jogo, das duas equipas, e esse lance poderia ter sido uma machadada na confiança portista.
Um minuto depois é Piris a pôr de novo Helton à prova mas...mais uma desantenção defensiva proporcionou o 3º golo portista, aos 74 minutos.
Da possibilidade do empate ao irrecuperável 3-1 foi um piscar de olhos, e já pouco ou nada havia a fazer.

Claro está que nenhuma derrota é bem-vinda, mas há umas que doem mais que outras, e não tem nada a ver com arbitragens ou injustiças.
Se já não é agradável perder um clássico, pior ainda é ter que ver as imagens da tribuna do estádio, atafulhada de gente com ar de filme de gangsters, com risos maliciosos de quem acaba de dar um golpe fatal no gang rival, na tentativa de dominar o bairro. 
Pior que este riso, só se a vitória tivesse sido com um golo de Izmailov mas esse, como sabem, está de licença de parto.
Seria também desnecessário ouvir William Carvalho dizer, "temos que levantar a cabeça".
Andámos de cabeça baixa anos a fio, e agora que estamos com ela bem levantada, não será uma mera derrota que a irá fazer regressar à posição que tão bem conhecemos.

Paralelamente ao jogo, não posso deixar de pensar que, se não vencemos quando o porto se apresenta tão frágil, quando o faremos?
Há o célebre provérbio acerca do futebol alemão, mas pode ser perfeitamente adaptável à nossa realidade.
São 11 contra 11, e no final...ganha o porto.

Pior mesmo só o facto de termos descido para o 3º lugar.
Após o jogo, fiquei a saber que a classificação dos 3 primeiros, quando em igualdade pontual, é feita por ordem alfabética...de acordo com o site zerozero.