quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Gostas mais do pai ou da mãe?


Não gosto muito de me meter em guerras que não são nossas.
A eterna questão "gostas mais do pai ou da mãe" ou "gostas mais do Ronaldo ou do Messi" cansa-me, sinceramente.
Aprecio um e outro e não fico cego por um ser do Barça e outro do Real, ou por um ser sportinguista e produto da formação.
Claro está que quero o melhor para Cristiano, menos quando joga contra o Sporting.
Até já tive ocasião de referir numa crónica que eu seria incapaz de apaludir CR7, como muitos fizeram, após ter marcado um golo em Alvalade.
Mesmo que ele tenha juntado as mãos, como que num pedido de desculpa.
Do mesmo modo que não aplaudiria Toñito, quando teve a mesma atitude.
Aliás, Ronaldo teve igual gesto quando marcou pelo Real, ao Manchester United, e não sei se terá sido aplaudido pelo fãs ingleses.
No entanto, num jogo em Old Trafford, onde nos marcaria mais um  doloroso golo, já com o fim do jogo à vista, Ronaldo fez uma cara que dividiu opiniões, e recentemente desmistificaram esse gesto, dando razão à minha opinião.
Nunca aplaudiria um golo, seja de quem for,  contra o Sporting.

Mas, questuínculas à parte, acho degradante a última polémica envolvendo o jogador português.
Tudo porque o líder da FIFA decidiu chamar a si as atenções, quando estas deveriam recair sobre os interevenientes no jogo, e decidiu emitir uma polémica opinião sobre os dois melhores jogadores do Mundo.
Se Blatter fosse  padeiro...o homem do talho, carroceiro ou merceeiro, poderia e deveria ter liberdade para emitir o seu juízo.
No entanto, como juízo é coisa que parece não ter, o presidente da FIFA cometeu mais uma fífia e disse publicamente que gostava mais de Messi.


Qualquer pessoa com alguma coerência e sentido da responsabilidade fugiria dessa questão, mas Blatter veio dizer que gosta mais da mãe que do pai.

Pior ainda, fez alegações ridículas, e ficámos a saber que CR7 gasta demais em cabeleireiro, que Messi é um menino bom que qualquer mãe gostaria de  ter, e que este é um bailarino enquanto Ronaldo tem uma postura rígida, tipo...comandante.

Pois bem, goste-se ou não de Ronaldo, hoje deu a resposta que o homem merecia.
Marcou mais 3 golos com a camisola do Real, tornou-se no 5º melhor marcador de sempre da equipa espanhola, deixando para trás o mito Puskas, e segue o seu desenfreado caminho para bater todos os recordes do clube.

Claro está que, como bom comandante, fez uma saudação especial para o presidente que representa mais uns que outros, e a continência com destinatário definido foi tudo menos espontânea.
Entretanto, no Bernabéu foram entoados cânticos chamando bêbado ao pobre Blatter, que afinal deverá ser taberneiro...e pode assim emitir a sua descomplexada predilecção.

Esta questão não tem a ver com gostar-se do pai ou da mãe.
Tem a ver com bom-senso, e essa é uma virtude que não abunda...seja na FIFA, UEFA ou instâncias do futebol português.