sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Bandarilha

Enquanto esperava pelas emoções previstas para o fim-de-semana, entretive-me a ver alguns dos jogos das competições europeias.
No entanto, um dos momentos mais emotivos foi quando recebi alguns comentários de um lampião (categoria diferente de benfiquista) que, perante uma crónica relativa ao jogo Porto-Zenit, gozava com a nossa condição de espectadores.
Pois, passada a jornada europeia, devo dizer que a fraquíssima prestação das nossas equipas não teve no Sporting qualquer responsabilidade, tantas vezes acusado de pouco contribuir para o ranking que Portugal detém.
Fiquei também sensibilizado ao saber que o responsável máximo pelo futebol benfiquista ficou satisfeito com o empate caseiro, perante um emblema de média dimensão europeia o que, por arrastamento, terá deixado o comentadeiro de serviço também satisfeito.
Jorge Jejuns queixou-se da chuva, o que me levou a questionar se só terá chovido em cima dos jogadores da equipa encarnada e empapado unicamente o terreno que pisavam.
Ao ouvir o treinador da equipa grega dizer que mereceram ganhar com e sem chuva concluí que afinal o Olympiakos também andou a chapinhar nesse mesmo jogo e, mesmo sem um futebol de fino recorte técnico, criou uma mão cheia de oportunidades claras de golo.

Dois empates muito sofridos e três derrotas vêm confirmar não só que o futebol português parece já ter tido melhores dias, mas também que o lugar que o Sporting cedeu temporariamente não está bem entregue.
Porém, dado que a época passada foi negativa não só a nível interno, devo confessar que, passada a desilusão inicial, prefiro que o Sporting tenha este ano de ostracismo do que ousar repetir a triste imagem que deixou na Europa.

Estas constatações não significam que tenha ficado satisfeito com os resultados, pois gostaria que Estoril, Paços, Guimarães e Olympiakos tivessem conseguido melhores resultados.
  
Passadas então as emoções europeias, as atenções viram-se (ainda mais) para as competições nacionais.
Se é verdade que o sorteio da Taça de Portugal ditou um Benfica-Sporting, com os mais diversos sentimentos associados, o próximo Porto-Sporting continua na ordem do dia.
Tanto que hoje são as hostes portistas a darem a voz ao manifesto.

Por um lado, o presidente da Câmara do Porto, que não despe a camisola apesar da responsabilidade do seu novo cargo.
A frase do dia pertence a Rui Moreira, que vem dizer:
"O Porto tem de ser capaz de vencer o Sporting mais que não seja para, por uma vez, calar Bruno de Carvalho e o seu populismo."
Já tinha dito, por alturas das eleições autárquicas, que o clube portista seria o grande vencedor das eleições para a autarquia local, qualquer que fosse o seu vencedor.
Apesar de já ter tido grandes aliados na autarquia, desta vez parece que F.C.Porto e C.M.Porto quase se poderão confundir.
Invertendo os papéis, não imagino Jorge Sampaio, João Soares, Santana Lopes, Carmona Rodrigues ou António Costa, os mais recentes autarcas lisboetas e todos eles adeptos do Sporting e Benfica, virem dizer...nas vésperas de um clássico, que seria bom o seu clube vencer para calar o inenarrável Pinto da Costa, rei do populismo e da demagogia.
Nem sequer enquanto adeptos.
Às tantas até disseram, e estive distraído.
Estas palavras acentuam a guerra que o Sporting abriu a Norte, e da qual Vítor Pereira (ex-treinador portista) também opinou e com a qual concordo.

"Treinador avisa que discurso de desafio agrada aos dragões" e "Sporting está a estimular o Porto" são as frases que fazem capa no jornal O Jogo, mas é um assunto a que já tinha feito referência, em crónica anterior.

Apesar de haver quem considere que as palavras de BdC visam ser tratado como um rival e não como a equipa mediana que tem visitado o Dragão nos últimos anos, considero que o clima de guerrilha é aquele que mais favorece a equipa portista.
Se a guerra Norte-Sul foi inventada por Pinto da Costa, de modo a congregar esforços e juntar as tropas, quando esta arrefeceu outras pequenas batalhas foram abertas, sempre de modo a estimular o sentimento de perseguição e injustiça.
Disse-o na altura que as palavras de BdC poderiam ser um pau de dois bicos, até porque não joga só com os sentimentos dos jogadores e adeptos portistas.
Poderia tornar-se  um pau à laia de bandarilha, espetada no cachaço de um touro, que os faz espevitar.
Ao ler estas declarações, fico com a ideia que está mesmo a surtir algum efeito.
Poderá jogar também com os sentimentos da classe arbitral que veste de azul-e-branco e que, como desconfiamos, ainda está em maioria no quadro de árbitros das competições profissionais.