quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Agressividade

Se, até há pouco tempo atrás, abrir a imprensa desportiva na secção reservada ao Sporting era o mesmo que folhear a necrologia, já os tempos mais recentes parecem indiciar que o clube ressuscitou ou, pelo menos, que conquistou uma vida extra.
As dívidas, reestruturações, derrotas, críticas ou cenários fantasmagóricos deram lugar, pelo menos momentaneamente,  a elogios, à qualidade dos seus jogadores, às vitórias, à liderança na classificação e melhor marcador, etc...etc.
No entanto, como no melhor pano cai a nódoa, e porque a vida não é toda pintada de cor-de-rosa (que raio de cor feia)  e também porque ainda há muitos dossiers encardidos na agenda do Sporting, aqui e ali vão surgindo notícias à moda antiga.

No topo desta agenda encardida, surgem os despedimentos e processos disciplinares a um batalhão de jogadores.
No apartado despedimento surgem Onyewu e Bojinov. Sem comentários, porque já os fiz em diversos períodos das suas ligações ao nosso emblema.
No apartado processo disciplinar (por motivos díspares) aparecem, entre outros, Fokobo e Stojanovic.
Desconheço a origem desta notícia ou, caso seja verdadeira, como chega à comunicação social com tamanho à vontade, mas não deixa de ser estranho que no dia em que é noticiado o processo disciplinar ao jogador camaronês este tenha sido convocado para o jogo com o Penafiel .

Também foi notícia o facto dos três estarolas emprestados ao Corunha (Evaldo, André Santos e Salomão) terem ficado fora dos inscritos para a Liga.
Uma vez mais, a realidade fala por si.

Já no campo das notícias agradáveis, surgem mais elogios a William Carvalho.
Penso que o médio leonino, tal como já referi em crónicas recentes, é a grande revelação deste início de época mas, tal como à equipa, deve ser-lhe dado tempo e paciência.
No entanto, a voragem da comunicação social pode querer antecipar algumas etapas.
Na extensa análise do Record não faltam palavras elogiosas, e é destacado o influente papel do jovem angolano, cujo raio de acção se inicia nas tarefas defensivas mas, ao contrário de outros que desempenham essas funções, não se esgota aí a sua intervenção.
Têm sido notórias as suas incursões por terrenos mais adiantados, onde a sua qualidade de passe e a ocupação de espaços têm marcado pontos.
Pois bem, o Record considera que, apesar de todos estes atributos, falta ainda agressividade a William Carvalho.
A comparação com Rinaudo é abordada mas, a meu ver, evitável.


É que, apesar do argentino ter entrado com a corda toda na sua chegada a Alvalade, cedo deu a perceber que toda a agressividade demonstrada jogou muitas vezes contra o jogador...e clube.
Admito que cheguei a empolgar-me com o jogo e disponibilidade de Rinaudo mas, actualmente, já me deixa desconfortável a falta de lucidez defensiva e o exagero nalgum tipo de acções.
Sem querer comparar William Carvalho com qualquer jogador, pois pode ser prejudicial para o atleta, recordo-me das grandes referências internacionais naquele sector que jogavam com a inteligência, ritmo, capacidade de passe e de desarme que W.C. tem demonstrado.
Nenhum deles se pendurava nos adversários, fazia carrinhos suicidas ou passava tanto tempo no chão como o argentino.
Na sua época de estreia, foi expulso injustamente (contra o Guimarães) por um tackle que não atingiu o adversário...mas onde foi fácil para um árbitro que pretendia prejudicar-nos alegar que a entrada foi violenta.
Se Rinaudo jogasse de azul e branco...ou encarnado, talvez lhe fosse permitido outro tipo de agressividade (violência).
De qualquer modo, prefiro um estilo que permita controlar o adversário com bola sem ser necessário pôr-nos o coração em fanicos.
Já W.C. utiliza o seu corpo para molestar, para estorvar e, inúmeras vezes, recuperou a bola sem recorrer à falta...ou provocou maus passes/perdas de bola.
Eu sei que, tal como já referi, W.C. ainda tem muito para evoluir mas, por favor...não lhe digam para seguir exemplos que não precisam ser copiados.
Já basta o original.