quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Miopia galopante

A capacidade transformista de alguns jogadores da bola parece não ter limites.
Alguns chegam mesmo a roçar o ridículo, como um brasileiro contratado recentemente pelo Arouca que, à chegada a Portugal, disse que vinha para lutar pelo título.
Ou seja, a ignorância ganha contornos quase absurdos.
Hoje, li umas palavras de Mário Felgueiras, guarda-redes que fez parte da sua formação no Sporting, e que actualmente joga da Roménia, país do Conde Drácula e de outras personagens sinistras.
O jogador  revelou, em entrevista ao site romeno “StiriDeSport” :

“O Sporting conversou com o meu agente mas nunca chegou uma proposta concreta. Sinceramente não vejo muita diferença entre o Sporting e o Cluj”. 

Eu, também de um modo sincero, confesso que não me recordo de grandes voos do Felgueiras, a não ser do voo da Fátima Felgueiras para o Brasil.
Agora que o guarda-redes está na terra de Drácula, mas também dos vampiros, parece esvoaçar com mais autonomia e a uma velocidade desconcertante.
No entanto, essa mesma velocidade parece estar a deixar-lhe o neurónio baralhado.
Não ver muita diferença entre o Sporting e o Cluj, é o mesmo que confundir a Gisele Bündchen com o Castelo Branco. 
Nem sequer seria necessário fazer ver ao (ainda) jovem jogador que o Sporting joga de verde e os romenos com um vermelho pouco católico.
Ou que o Sporting joga num imponente estádio, ao contrário da caixa de sapatos dos romenos.
Também parece evidente que o Cluj se reforça, regularmente, com portugueses de 3ª categoria enquanto o Sporting sempre esteve recheado de internacionais.
Talvez assim se perceba porque o Felgueiras foi parar à Roménia.

Mário Felgueiras talvez se tenha deixado iludir por meia dúzia de títulos que o clube conquistou num fugaz crescimento, mas estou em crer que em breve voltará a encolher até ao seu tamanho normal.
Na última época, a equipa de Cluj já ficou em 8º lugar, conseguindo pior que a pior classificação de sempre do Sporting, mas talvez até nem tenha sido mau.
É que, no ano em que o Sporting foi à sua última final europeia, em 2005, foi quando se deu a chegada do clube romeno à 1ª divisão, onde conta actualmente com 10 presenças. 
Uma ou outra vitória histórica na Europa talvez tenha perturbado o confuso guarda-redes.

Do palmarés do clube em causa, constam 3 campeonatos nacionais, 3 taças e 3 supertaças, conquistados na última meia dúzia de anos.
Já o pobre Sporting, que passa pela pior crise que há memória, conquistou 1 Taça das Taças, 18 campeonatos, 15 taças, 7 supertaças, 4 campeonatos de Portugal, para lá de inúmeros troféus oficiais de âmbito distrital.

Podia lembrar-lhe os atletas olímpicos de renome mundial, como Lopes e Mamede, Naide, Rui Silva ou Obikwelu, que conquistaram inúmeros títulos e medalhas que encheram de orgulho todo o país. Podia recordar-lhe as taças europeias de hóquei em patins e andebol, ou os títulos europeus de corta-mato e pista em atletismo, que sobressaem nos largos milhares de troféus conquistados.
No entanto, toda esta informação poderia entupir o seu ocupado e baralhado neurónio.

Mário, continuas a não ver muita diferença?