quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Presépio vivo

A época natalícia está à porta, mas não há motivos para grandes celebrações.

O Sporting ainda não começou a sua participação na Taça da Liga, apenas está nos 1/16 final da Liga Europa, nos 1/4  final da Taça de Portugal o Jamor parece uma miragem e o campeonato…é o que se sabe.
Um Natal triste, até porque o Sporting parecia ser a única equipa a proporcionar bons repastos mas decidiu juntar-se à Sopa dos Pobres para ajudar os desvalidos.
Já a quadra dos rivais será mais bem passada, porque apesar de também já se terem associado a causas nobres e prescindido de alguns brindes, agarram-se com unhas e dentes ao espírito que preside a época e sorriem, felizes.
Além disso, passam a temporada juntos, em harmonia, enquanto o Sporting mais se assemelha a um sem-abrigo. Parte da família parece estar zangada, e até alguns amigos decidiram virar-lhe as costas, preferindo trocar mimos com os outros dois.

O Sporting até celebrou timidamente no habitual Circo de Natal, mas a consoada não terá o mesmo luxo e brilho do barulhento vizinho do lado.
Aquela malta anda tão exaltada com a estrela de Belém, que lhe indicou o caminho, que até deve ponderar fazer um Presépio vivo para evocar o raro acontecimento.
O cenário pode ser montado numa bomba de gasolina nas cercanias, porque já outros eventos e reuniões celebradas em locais semelhantes revelaram-se de sucesso.
Para lá do menino Jesus, que ainda só balbuciará umas palavras (por motivos óbvios) contarão por certo com os Reis Magos, que lhes continuarão a trazer prendas finas e valiosas.
Entram só três porque a bomba de gasolina não tem muito espaço, mas muitos mais estarão a postos para entrar em cena.
Os pastores marcarão presença, como em qualquer presépio, se chegarem a tempo de Évora, onde foram cuidar de parte do rebanho.
Lá estarão Maria e José, prontos para dar colinho a Jesus, e deixá-lo limpinho…limpinho.
Haverá bicharada em barda.
As galinhas não me parecem muito bíblicas, mas é um bicho tipicamente português e merece figurar no Presépio.
O porco também, como alusão à Bairrada e às suas gentes.
Ovelhas não podem faltar, porque é um bicho muito seguidista e convém ter sempre uns quantos que podem fornecer leite, carne…e ossos para roer.
Não faltará o asno, com as suas grandes Orelhas e o seu bafo quente para aquecer o menino.
(Onde já se viu deixar em pleno Inverno um petiz naqueles preparos?)

Esta preferência pelo Presépio ganhou força depois do pagão Pai Natal europeu ter-se revelado demasiado obtuso e garantidamente não lhe trazer nada.
Diz que o menino portou-se mal durante o ano, e que não merece.