sábado, 6 de dezembro de 2014

Relvado sintético. Vitória natural.


O jogo e vitória deste final de sexta-feira no Bessa deixou-me satisfeito, mas indeciso relativamente à crónica para este espaço.

Sinto-me um pouco como um extremo do Sporting, sem saber se hei-de rematar ou centrar.
É que, sinceramente, tenho vontade de estar três parágrafos a falar do árbitro Jorge Sousa, e marimbar-me para tudo o que de positivo teve o jogo.
Sinto-me muito mais à vontade para falar de arbitragens manhosas depois de uma vitória, do que propriamente após um desaire.
O Sporting conseguiu, de facto, um triunfo claro e incontestável, mas aos 20 segundos de jogo o homem do apito destapou as suas intenções. Uma falta grosseira sobre Adrien Silva deveria ter valido o primeiro amarelo, mas Jorge Sousa preferiu guardar os cartões para momento mais oportuno.
O jogo seguia em ritmo pachorrento, mas aos 5 minutos já contabilizava 3 erros da equipa de arbitragem, sempre em desfavor do Sporting.
Se a equipa leonina não demonstrasse uma tão grande superioridade, dificilmente sairia do Bessa com os três pontos.
A primeira parte só fez bater os corações um pouco mais rápido na sequência das claras oportunidades de golo desperdiçadas por Adrien, Slimani e Montero, bem como pela lesão de Nani.
Já o Boavista só se acercava da área leonina através de livres, alguns deles puras invenções de JS e seus pares, mas a inépcia da equipa axadrezada indiciava que só chegaria ao golo numa rara conjugação astronómica.
O Sporting esteve quase sempre instalado no meio campo axadrezado, e foi precisamente perto da área do Boavista que saiu o primeiro amarelo do jogo. Para Montero. Por uma falta duvidosa e patética. O momento oportuno de Jorge Sousa tinha chegado.
Mas outra das ilacções que se pôde tirar dos primeiros 45 minutos foi de que o sintético do Bessa pode ser muito bom para as contas do clube, mas é um atentado ao futebol.
Por muita entrega e boa vontade que exista, não é fácil controlar e deixar jogável uma bola que por vezes parece ser um “melão” de rugby, já para não falar da dificuldade que alguns jogadores tiveram em manter o equilíbrio.
A 2ª parte, no entanto, pareceu trazer uma equipa mais ambientada ao relvado (talvez com um calçado mais adequado), e com o substituto de Nani em grande plano, o que foi determinante para desequilibrar uma emperrada balança.
Quando o jogo se acercava da última meia hora, ainda com 0-0, já alguns jornaleiros deviam alinhavar as capas dos jornais, e passariam certamente pelo martelar no prolongar do jejum no Bessa.
Só que Carrillo destapou o jarro e começou o seu recital ao marcar um soberbo golo, e ainda a deixar a sua marca nos restantes. Primeiro numa arrancada pela direita, após assistência de William, que terminou com o fuzilamento da baliza boavisteira, e passado pouco tempo após um serpenteante slalom em que oferece o segundo a Mané. Antes de nova assistência para o 3º, obra de J.Mário, já tinha tentado a ligação com o jovem médio mas o remate tinha saído por cima.
Como no melhor pano cai a nódoa, fica o destaque de, no autogolo de Jonathan, o passe não ter saído dos pés de Carrillo.
Fica aqui a curiosidade do Sporting ter marcado o seu 5º autogolo, e ainda nem chegámos a meio da época, o que poderá começar a constituir um novo recorde mundial.
Neste manancial de emoções, Jorge Sousa acabou por retrair-se um pouco na sua tentativa de equilibrar um jogo que teria sentido único, mas nesta altura já pouco ou nada haveria a fazer.

Agora ao Sporting resta esperar tranquilamente pelo que acontecerá na restante jornada, e começar a preparar o seu decisivo jogo para a Champions. 

Espera-se, claro está, que com Nani a 100%.