terça-feira, 18 de novembro de 2014

Barba ou cabelo?







No espaço que lhe está habitualmente reservado no jornal A Bolha, Miguel Sousa Tavares confessa o seu tédio por a actualidade desportiva não trazer nada de novo.
Começa por tropeçar desajeitadamente no Portugal-Arménia, faz uma pequena incursão no Itália-Croácia e manifesta o seu desagrado pelo abandono de Federer na final do Masters.
Quando não há Sporting para saco de pancada, parece sobrar pouco para reflectir.
Talvez por isso é que o colunista aborda um dos temas do momento no desporto mundial.
A barba.
Sim, sou consciente que, a par do uso das novas tecnologias, da corrupção ou dos fundos, a problemática da pilosidade facial é das que mais deveria centrar as atenções dos responsáveis pelo futebol mundial.
Este tema, como decerto sabem, foi desenterrado pelo presidente do Gençlerbirliği, incomodado pelo desleixo visual de alguns jogadores do clube.
Mas M.S.T. vai mais longe, e manifesta o seu incómodo pelas tatuagens que alguns jogadores ostentam.
E, talvez porque ainda tinha mais algumas linhas para preencher, somou à sua indignação o penteado, os headphones ou a ausência de sinais exteriores de que os jogadores ocupem o seu tempo a ler um livro ou um jornal.
Fiquei deveras preocupado com este último item, e espero não emitir nenhum sinal exterior de já ter folheado a Playboy ou outras revistas intelectualmente desinteressantes.

Resumindo, M.S.T. conclui que os jogadores de hoje transmitem uma imagem de pobreza intelectual e de falta de gosto gritantes. Ah, e a quem nada interessa saber do país, nem do mundo que o rodeia.
Toda esta pobreza franciscana por causa da merda da barba...e da música nas orelhas.
Eu gostava de ter esta capacidade de síntese e de generalização, só de olhar para uma pessoa.

Claro está que M.S.T. demonstra este sentido crítico em prol dos milhões de jovens e criancinhas que, ao redor do globo e arredores, idolatram estes ídolos com pés de barro e pêlo na cara.

Todo este cenário torna-se mais preocupante porque a barba é um adereço de muito difícil remoção, assim como os headphones. Esta praga ameaça as novas gerações, e confesso que a minha preocupação é tão grande que já preveni a minha filha que se me chega com barba a casa ponho-lhe as malas à porta, mesmo que ainda seja uma adolescente.
Veja-se o que aconteceu a Conchita Wurst, vencedora do festival Eurovisão, depois de ter visto um jogo do Raul Meireles.
O fenómeno é deveras preocupante, ao ponto da maioria dos jogadores da NBA apresentarem alguns dos sintomas que indiciam pobreza intelectual.
Apesar de ter frequentado a Universidade de Arizona State, James Harden (com a sua proeminente barba) deverá ter um Q.I. ao nível de uma pedra da calçada. Lebron James é outro dos maus exemplos para a juventude, mesmo que se tenha tornado no melhor basquetebolista da actualidade, depois de uma infância com muitas carências. A barba, as tatuagens e, não esqueçamos, os headphones, fazem dele mais um péssimo exemplo a seguir.

Desengane-se quem pensa que isto é um fenómeno passageiro ou uma questão de moda.
Todos nos recordamos que um outro surto de barbas frondosas e fartas cabeleiras deu origem a uma geração de ignorantes e indigentes.
O look anos 70 terá provavelmente começado nos futebolistas da época, e rapidamente alastrado à restante população. Nessa altura as tatuagens ainda não tinham atingido o virtuosismo das actuais, mas já se ostentava com orgulho  “Amor de Mãe – Guiné 69” no braço ou no peito.
O 25 de Abril até deveria ter sido apelidado como “Revolução das Barbas”, em vez da falaciosa “Revolução dos Cravos”.

Estou contigo, M.S.T.

(Equipa da 3ª divisão, anos 70)