quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Transtorno Afectivo


O Sporting joga hoje uma derradeira cartada para manter viva a esperança de passagem aos 1/8 de final da Champions.
Vencer permite manter vivo o sonho e continuarmos a fazer contas.
Perder ou empatar obriga-nos a guardar a calculadora…ou simplesmente deixá-la a ganhar pó.

Se a exibição na Alemanha, após a exibição e vitória no Porto, conferiu um estado de alma e um optimismo à prova de facada na maioria dos adeptos leoninos, a derrota em Guimarães apenas arrefeceu essa euforia.
Já outros são bem mais pragmáticos. 
Pragmáticos e, no meu caso, com sintomas de Transtorno Afectivo Bipolar que, como se sabe, é caracterizado pela existência de episódios agudos e recorrentes de alteração patológica do humor.
Não é que apresente frequentes ocorrências de alegria esfusiante, mas por vezes também me deixo contagiar pelo optimismo colectivo.
Mas a realidade é que, quando se fala de futebol, a letargia toma cada vez mais conta de mim.
São já demasiados os anos a acreditar na cura ou, pelo menos, numa vacina que amenize o sofrimento.

Assistir ao fenómeno económico-desportivo em que se transformou o futebol coloca-me num limbo emocional e, sendo sincero, já começa a cansar-me seriamente...como se não bastasse o que fui sabendo da história deste desporto, onde por exemplo foi proclamada campeã do Mundo (1966) uma selecção que na final da competição lhe foi validado um golo que não entrou, num lance validado por um fiscal de linha russo (onde é que eu já vi isto?). De um modo não menos bizarro, a equipa inglesa sentenciou o prolongamento com outro golo num momento em que havia vários espectadores dentro do campo e perto da área onde ocorreu o lance.

Mas se estas histórias não abalaram a minha fé, porque os intervenientes não me aqueciam nem arrefeciam, tive a infelicidade de tornar-me adulto com a ascensão de um déspota à ribalta do futebol português, quando eu ainda assistia a este desporto com o romantismo próprio da juventude.
Perdi a inocência na década de 80, apesar de ter acreditado no Pai Natal até tarde, mesmo que este equipasse com as cores da Coca Cola.
Apesar das alegrias constantes que essa década me proporcionou, graças às modalidades do Sporting, o futebol foi definhando paulatinamente, quase até à entrada do milénio.
E se é verdade que o Sporting também teve demérito nesse longo hiato, não menos verdade é que tivemos excelentes equipas que ficaram atoladas no terreno pantanoso meticulosamente colocado no nosso caminho.
Já com os olhos bem abertos, passei a assistir, cada vez com olhar mais atónito, aos sucessivos atropelos à verdade desportiva, e a minha esperança esvaiu-se.
Os surtos da minha patologia foram cada vez mais frequentes, porque parecia ter-se perdido a vergonha um pouco por todo o lado.
Se durante a ditadura do Norte chegámos a ver nos árbitros estrangeiros a solução para os nossos problemas, parece-me que na actualidade já ninguém acredita em qualquer criatura com um apito na boca ou com uma bandeirola na mão.

Hoje o Sporting recebe o Schlake04, olhando desesperadamente para a classificação, porque esta foi deturpada sem pudor.
Foi o espanhol Lahoz que, pese embora a superioridade do Chelsea, decidiu adulterar o resultado furtando-nos uma grande penalidade.
Mas também foi o russo Karasev, delapidando o Sporting económica e desportivamente, no jogo contra o Schalke.
Hoje saberemos se o Italiano Tagliavento quer juntar o seu nome à mentira, e me provoca mais um episódio do meu Transtorno Afectivo Bipolar.
Mas se os espanhóis tiram, também sabem dar, como ficou ontem provado com a arbitragem de Borbalán. 
O futebol-espectáculo é, definitivamente, um desporto-mentira.