quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

6-1


Hoje, já a frio, no rescaldo do jogo para a Taça de Portugal com o Nacional, seria possível escrever três crónicas e ainda ficar muito por dizer. O problema é que o que ficaria por dizer seria pernicioso para as nossas cores, e não pretendo fazer coro com a esmagadora maioria.
Não vou, no entanto, fazer de conta que não se passa nada e que tudo corre sobre rodas. Vou sim é evitar a crítica ofensiva e que nunca se traduzirá em nada de positivo.
Primeira nota de destaque deste jogo, e que talvez acabe por ser das poucas positivas da noite de Alvalade. O jornal Público voltou a ficar à porta...ou talvez tenha ido a um bar próximo ver o jogo pela Tv. Mesmo sendo um tema que daqui por pouco tempo cheire a bafio, enquanto dura a polémica e enquanto esperamos pelas réplicas do terremoto causado nas instâncias UEFA e Liga pelas imagens difundidas pelo jornal, será saboroso vê-los...ou imaginá-los, jogo após jogo, a implorar pela entrada em Alvalade. Como diria Maradona :"Que la sigan chupando"!!
Há quem considere que o Sporting demonstra fragilidade, ao impedir o acesso da publicação a Alvalade, mas quando o Porto (para citar quem mais pune a quem ousa atacar o clube) toma atitudes idênticas, é considerado forte, exemplar e intocável. Enfim, critérios.
Agora, vamos às outras notas de destaque, quase todas elas negativas. Se até Domingos reconheceu que o Sporting que se apresentou em Alvalade, na primeira parte, não ganhava a ninguém, quem sou eu para desmentir. Não vou dizer que houve erros crassos na constituição da equipa, até porque o treinador leonino saberá mais de futebol a dormir que eu acordado, mas a falta de atitude foi um suicídio assistido. Sim, assistido pelas cerca de 18 mil almas (penadas) que se deslocaram a Alvalade, e por mais uns largos milhares que não adormeceram no primeiro período de jogo porque estavam demasiado assustados para o fazer.
Este filme de terror já chegou a estar na sala de Alvalade tempos infindáveis, e julgávamos definitivamente retirado dos cartazes, mas teima em regressar. O chutão para a frente de Polga à procura de Liedson já deveria estar abolido das nossas práticas, mas alguém esqueceu-se de lhe dizer que o levezinho já não está cá. Foi este o futebol da primeira parte, sem esquecer os dois golos nacionalistas e mais uma oportunidade flagrante dos insulares, em 45 minutos para recordar. No entanto, a reter está a falta de atitude e entrega que faz parecer que a outra equipa, qualquer que ela seja, recorreu a produtos proibidos para melhorar o rendimento desportivo. Não, o que mais uma vez se viu (e foram mais 45 minutos de avanço, tão recorrentes no futebol de Paulo Bento, Paulo Sérgio, Carvalhal, entre outros) foram 11 jogadores com muita vontade de ir ao Jamor, e outros 11 que pareciam querer antecipar as férias.
Aos espectadores que sobreviveram à síncope ou ao colapso, ficou a certeza, na segunda parte, que não era a táctica  que estava errada, não era a capacidade de Domingos em orientar a equipa, nem sequer a escolha dos jogadores. Mesmo com a reincidência de Polga em municiar o ataque adversário com assistências primorosas e de Bojinov em limpar a zona defensiva madeirense, ao tornar-se no melhor central adversário (Domingos, e que tal trocá-los de posição??) o certo é que criámos a primeira oportunidade de golo ao 40 segundos da segunda parte, e fomos "massacrando" a defesa contrária até ao milagroso golo do empate.
Apesar de termos João Pereira (mais um) em sub-rendimento e Ínsua longe do fulgor de início, mesmo com todos estes contratempos e handicaps, poderíamos ter vencido a partida e acabámos por ganhar a segunda parte por 2-0. A mudança radical de postura em campo manteve-nos ainda esperançados na competição, bem como evitou um maior alheamento e animosidade dos adeptos para com a equipa. Se eventualmente estivéssemos a vencer por 2-0 e permitíssemos o empate, não se livravam da vaia, como recuperámos de 0-2, aí já o resultado é bem diferente, mesmo que o 2-2 tenha parecenças com o 2-2.
Agora, bem, nem vou estar a conjecturar sobre o jogo da Madeira porque ainda falta muito, porque há imensos problemas  para Domingos resolver. A única certeza é que são já imensos os jogos sem ganhar e em que a contabilidade "começa" a preocupar. Uma vitória nos últimos seis jogos só tem paralelo com o início da época, em que vencemos um de 8 jogos, mas 3 deles eram amigáveis, pelo que já estamos na pior série da época. Dá para recear e temer pela falta de confiança que isso gera, mas esta equipa tem um apoio como nenhuma outra teve, em períodos idênticos de resultados negativos. Está só nos pés (e cabeça) deles voltarem a trilhar o sucesso.