segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A Selecção das Falkland


Não consigo ficar indiferente quando se fala em formação, em futebolistas estrangeiros e assuntos relacionados.
Confesso que desconhecia haver uma comissão criada pelo Governo e encabeçada pelo ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, para melhorar o desporto nacional.
Uma das premissas do estudo desta comissão passa pela obrigatoriedade de só poderem ser contratados jogadores estrangeiros, internacionais pelos seus países .Não sei qual será a posição oficial do Sporting, mas numa primeira instância não me parece muito descabida esta proposta, mesmo que estrangule o scouting existente. Também desconheço os pormenores, que poderão ser decisivos na apreciação geral, mas Jorge Jesus desde logo veio mostrar-se crítico relativamente a essa possibilidade. Pudera!!
O treinador encarnado diz que: "Portugal não tem capacidade financeira para os contratar. E eu pergunto: internacionais de onde, das Malvinas?".
Pois, compreendo a preocupação de um clube infestado de sul-americanos, e onde os parcos portugueses estão a milhas de poder ser opção válida no decorrer de uma qualquer época. O plantel actual do Sporting correria menos riscos, e apesar da actual diminuição evidente do peso do jogador nacional, consegue ter jogadores internacionais por 9 países, o que demonstra não a tal capacidade económica necessária, como preconiza o mestre da táctica, mas a capacidade de prospecção e de oportunidade.
No entanto, o que mais me deixa perplexo nesta declaração é o exemplo encontrado para ilustrar o poderio económico dos clubes portugueses. As Malvinas??
Caro Jesus, talvez quisesse fazer a piada com as Maldivas, porque o arquipélago que refere não tem e dificilmente terá uma selecção. 
Este território, que para os ingleses se chama Falkland,  é desde há quase 100 anos motivo de diferendo entre a Argentina e o Reino Unido, e que inclusivamente redundou numa guerra nos anos 80.
Acredito que a fixação por este território seja por este arquipélago se situar a 300 km da costa argentina, mas parece-me difícil que algum sul-americano dessa região venha a prestar provas na Europa. É que a população residente continua a ter ascendência britânica, por força da ocupação reiterada do arquipélago, e essas ainda não são as prioridades encarnadas.
Por este andar, e pela teimosia em demonstrar uma capacidade inusitada para nos fazer rir com as suas graças espontâneas, Jesus caminha a passos largos para se tornar na nova Cátia, da Casa dos Segredos.