sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Acordem-me, se faz favor!


Não é difícil encontrar palavras para definir o jogo de hoje e o estado de espírito dos sportinguistas. Difícil é encontrar as palavras certas, que não provoquem ainda mais crispação e angústia pelo momento que se vive em redor da equipa profissional do Sporting.
No momento em que começo a escrever este artigo, ainda estou na dúvida se devo ou não falar do jogo. É que, convenhamos, este foi só mais um dos tristes espectáculos que a equipa tem proporcionado, desde tempos quase imemoriais. 
Digo imemoriais porque não me quero recordar, e pensei que nunca mais fosse necessário olhar para trás e verificar os 8 jogos sem vencer ou, nessa mesma sequência, os míseros 4 jogos ganhos nos últimos 17 jogos da época passada. 
Mesmo se recuarmos aos 3 primeiros jogos do campeonato, até ao emblemático jogo da Mata Real, inclusivamente aí o futebol praticado tinha indícios de trabalho, de um rumo certo, de uma lógica de crescimento. Actualmente, o vazio que encontramos é tal que, para lá do que supõe para a época em curso, começo a duvidar que comecemos a próxima época com aspirações. Se este é o ano zero deste projecto, com a involução evidente, começaremos a próxima de um patamar muito redutor.
Como disse, nem sequer queria fazer qualquer análise ao jogo, e queria sim evidenciar a paciência e coragem das quase 18 mil almas presentes em Alvalade. Voltar a falar da atitude, das primeiras partes de avanço, do sub-rendimento generalizado, do meio-campo macio, de umas alas incapazes de servir o avançado é estar a martelar no mesmo, desde há longas semanas. Como quase tudo nos acontece, Bojinov quis dar um pontapé na crise pessoal e da equipa, mas acabou por afundar as duas de uma cajadada, com um certeiro tiro no guarda-redes. Mandou a hierarquia às malvas, mas para mal dos seus pecados deve ter sido a pior decisão da sua carreira, graças à perspicácia e sorte do guardião adversário. 
Quem, como eu, julgava que Wolfswinkel também precisava uns minutos de banco, agora achará que, mesmo a coxear, será a primeira opção para o ataque leonino, até porque Ribas chegou na pior altura que qualquer jogador poderia desejar.
Esta competição ainda não está morta para o Sporting, mesmo que tenha de jogar a última jornada com o ouvido na rádio, e ter que ganhar sempre por mais golos que o Rio Ave. Se decidirem dar mais 45 minutos de avanço, dificilmente estaremos nas meias-finais.
Esta Taça nunca será a salvação da época, como a Taça de Portugal também não, mas o plantel tem que se mentalizar que o orgulho deles, da complacente massa adepta leonina, está dependente destas duas competições. 
Já estou, como é óbvio, a dar o campeonato e a Liga Europa por perdidas, pois tenho que ser realista e convencer-me que, à imagem da época passada, vencer a um Nacional, Moreirense ou Gil Vicente será um feito notável.

p.s. Entretanto, numa notícia de final de noite, ficamos a saber que a SAD instaurou um processo a Bojinov. Bem me parecia que ainda se iria arrepender da decisão que infelizmente para todos nós tomou. 

Quero acordar daqui a nada e descobrir que foi, tão só, um pesadelo.