domingo, 8 de janeiro de 2012

Os empatas...


Não pôde ser!! O Porto somou mais um jogo sem perder no campeonato nacional e não conseguimos pôr-lhes o contador a zero.
As análises aos jogos dependem de muitos factores e sujeitos a contingências que não os tornam uma ciência exacta. Por isso Vítor Pereira e Domingos não estão de acordo em alguns pontos como muita gente discordará da minha análise.
O treinador portista, tanto na flash interview como na conferência de imprensa, realçou...recalcou que Polga anda iluminado por alguma estrela, pois escapou à expulsão em Vila do Conde e voltou a fazê-lo neste jogo. Diz ele que se o Porto tivesse jogado 25 minutos em superioridade numérica as hipóteses de vencer teriam aumentado. Domingos teve que responder, perante tanta insistência em expulsar o central leonino e desta forma tentar condicionar as próximas arbitragens do Sporting. Já o Benfica tem lucrado com as sucessivas ofensivas verbais aos jogos do Sporting, mas nós continuamos a comentar (e com pouca contundência) somente os nossos jogos. Disse o treinador leonino que se Otamendi tivesse visto o vermelho, por entrada a Carrillo, estaríamos mais que uma parte em vantagem, mas se ao menos lhe tivessem mostrado o segundo amarelo no dealbar da primeira parte, num lance em que P.Proença nem falta assinalou, jogaríamos toda uma parte em vantagem numérica. 

Quanto à minha análise, constato que mesmo que as melhores oportunidades tenham sido nossas, ainda noto o Porto mais equipa que nós. Pelo menos neste jogo. A equipa portista soube sempre o que fazer à bola, enquanto a nossa posse de bola era muito mais desgarrada, principalmente na primeira parte. Os azuis são muito mais matreiros na gestão dos tempos mortos, como impedir a colocação rápida da bola em jogo em livres ou lançamentos, típicas da escola portista, tenham os jogadores anos de casa ou estejam a dar os primeiros pontapés na bola. No entanto, onde notei maior diferença foi na intensidade de abordagem aos lances. Quando sucessivamente, após ressaltos e bolas divididas as bolas foram parar a pés portistas, isto não é só uma questão de sorte. Pareceu jogarmos sobre brasas e com demasiado receio em largos períodos de jogo, e talvez a posição delicada em que nos encontrávamos antes do jogo justificassem esse medo em perder, e só com o decorrer do jogo nos libertámos de algumas dessas amarras e lográmos alguns lances de relativo perigo.
Se o cabeceamento de Polga após um canto cobrado da direita pode ser considerada a melhor ocasião de golo da 1ª parte, por ter ido à baliza, já dois lances portistas de bola parada também levaram algum calafrio à nossa defesa, mas as balizas iriam mesmo ficar fechadas o resto do encontro.
A inclusão de Renato Neto (tal como prognostiquei em crónicas anteriores) não foi para mim surpresa, mas terá sido para André Santos, que deverá ter perdido de vez o seu lugar entre as opções para os próximos jogos. Apesar da falta de entrosamento com o resto da equipa, o jovem brasileiro não destoou no meio campo, e inclusivamente soube impor o seu físico na supremacia portista no miolo do terreno.
Já outras unidades basilares da equipa tipo sportinguista continuam longe de picos de forma já evidenciados, e este sub-rendimento é um dos responsáveis pelo decréscimo acentuado no fio-de-jogo que evidenciamos desde há algum tempo a esta parte. Refiro-me essencialmente a Capel, Elias e Wolfswinkel, que apesar de ainda justificarem o estatuto de titulares, por força dos imensos problemas físicos que afectam a equipa, também têm contribuído para a menor força que apresentamos, enquanto equipa.
A segunda parte mostrou um Sporting com uma cara mais alegre, mas sempre com o credo na boca cada vez que o Porto chegava à nossa área. É que a imprevisibilidade de Hulk não nos permitia grandes devaneios, e um golo seria o canto do cisne. Esse golo chegou a surgir, num lance anulado atempadamente por fora-de-jogo e que, curiosamente (Sr.Vitor Pereira) poderia e deveria ter custado o 2º amarelo ao avançado brasileiro. Um pouco antes, uma outra situação levou o estádio ao desespero, pois foi injustamente cortado um lance de ataque do Sporting, que colocaria Elias isolado perante Elton, por pretenso fora-de-jogo. No entanto, Vitor Pereira só olhou para o seu umbigo, e para o umbigo do Rio Ave, para proveito próprio.
Mesmo que as ocasiões de golo escasseassem, as oportunidades de Wolfswinkel e Izmailov fizeram-nos crer que teria sido possível vencer um jogo em que não fomos superiores, mas em que pudemos ser cínicos. Primeiro o holandês não demonstrou o motivo porque lhe chamam Iceman, e perante Elton não conseguiu mais que acertar nas pernas do brasileiro, mas estaria reservado ao russo, que deveria passar a apodar-se de mártir, o papel de patinho feio, ao falhar um golo que já era cantado pelo estádio e por esse país fora. Não bastava ter ficado com esse peso em cima, ainda ficámos todos a interrogar-nos e a preocupar-nos por mais uma mazela do médio, após terminar o jogo em visíveis dificuldades físicas.
A acabar o jogo, quase que se fazia injustiça, mas Otamendi emendou o que poderia ter sido um golpe de misericórdia nas nossas aspirações, ao cortar um remate de James que levava selo de golo. Valha-nos essa intervenção para não ter piorado uma noite que começou da melhor maneira, com um estádio ao nível dos seus melhores dias mas que, infelizmente, não recordarão pela excelência do futebol praticado.