domingo, 15 de janeiro de 2012

Voltar à casa de partida


Os sintomas eram preocupantes. Desde há muito que o Sporting não tem um jogo, na sua globalidade, bem conseguido, há muito que denota índices de agressividade baixíssimos, há muito que os resultados reflectem todos estes factores.
Quarto jogo consecutivo sem vencer, uma vitória apenas nos últimos sete jogos e o plantel que continua preso por cordas. Hoje mais adaptações, pois Carrillo esteve com febre durante a semana e Jéffren nem sequer estava no banco. O factor motivacional do início de época vai-se esbatendo, e muito temo pelo que resta de época, pois apesar das frentes ainda activas, muito teria que mudar para aspirarmos a algo de positivo.
De facto há situações que são de difícil compreensão, mesmo com tantas condicionantes. A que mais me causa estranheza tem a ver com a apatia generalizada, que já fiz referência noutros jogos, ou se quiserem, a falta de atitude que faz cada jogo parecer que jogamos contra 12, 13...14 jogadores. A pressão alta que caracterizava esta equipa esvaiu-se, mas mesmo a abordagem em cada lance faz dos adversários uns artífices da bola, pois invariavelmente ficam com ela em seu poder.
No entanto, não podia deixar de referir que, se a vitória do Braga acaba por ser justa, a dualidade de critérios arbitrais foi mais uma vez notória. Não teve influência no resultado, mas acaba por ir massacrando uma equipa que já tem dificuldade em gerir certos aspectos do jogo. Só para dar um exemplo, mas arranjaria mais meia dúzia, Rodriguez apanha um amarelo ingenuamente, por segurar a bola e impedir uma reposição rápida, e um jogador bracarense pontapeia a bola para fora do campo, em atitude muito mais evidente, perante a complacência arbitral.
Quanto ao jogo, quando apontei a falta de atitude como grande culpada pelo insucesso já estou a caracterizar e definir o encontro. Os primeiros minutos do jogo tiveram um só sentido, uma vez mais ficámos a ver jogar e não aconteceram golos do Braga por manifesta infelicidade. A partir dos 15 minutos equilibrámos, mas o desacerto nas decisões no último terço do campo denotam ou falta de qualidade ou falta de trabalho específico. 
A aposta em Ribas demonstrou que o uruguaio poderá ser uma aposta futura, mas  está ainda em pré-pré-época, e a substituição aos 68 minutos foi já em período de total eclipse do avançado. Ínsua a médio esquerdo foi outra aposta falhada, em parte pelo sub-rendimento que venho apontando há semanas. O nosso meio-campo esteve completamente à mercê adversária, e só se superiorizou na parte final do jogo, pois a pressão imposta ao Sporting acabou por desgastá-los fisicamente.
A segunda parte passámos da camada de ozono (que não chega a ser céu) ao inferno em poucos minutos. Matias Fernandez atirou ao poste, logo  no reinício do jogo para passados 2 minutos Hélder Barbosa dar vantagem aos bracarenses. Balde de água fria, que congelou completamente o Sporting até ao 2º golo. Curioso que, quando vejo Rodriguez sair com a bola controlada e passar o meio-campo fiz um rewind e vi o lance que ditou a final da Liga Europa passada. De facto, o resultado foi o mesmo. Rodriguez assiste o médio adversário que avança no terreno, e acaba em golo. 
O que restou de jogo foi um prolongar da agonia, mesmo que o golo de Carrillo tenha dado alguma esperança em, ao menos, não perder o jogo, mas com a inépcia ofensiva seria necessário recorrer a ajuda divina para o alcançar. De facto, confirmou-se a derrota leonina e, com ela, tempos difíceis (uma vez mais) se aproximam. 
Penso que se acabou a aura em redor deste plantel, e  só espero que o público que ainda for a Alvalade tenha em atenção que esta continua a ser uma equipa em formação, e não piore o espectro criando um ambiente difícil em própria casa.
Dito isto, resta recorrer a números para ilustrar esta primeira parte de campeonato, que termina com uma estatística surpreendente.
Apesar de todo o aparato e expectativas criadas até há tão pouco tempo, o certo é que a equipa deste ano tem piores números que a depauperada equipa do ano passado, senão vejamos:















Com estes quadros se depreende que, à viragem da 1ª volta, o Sporting está em 4º lugar enquanto no ano passado ocupava o 3º, o ano passado estava a 13 do 1º e este a 11 mas, enquanto o 2º lugar, que dá acesso directo à Liga dos Campeões estava a 5 pontos este ano já ascende a uns quase inalcançáveis 9 pontos. Além disso, a nossa pontuação é rigorosamente a mesma e apresentamos um melhor socre de golos, talvez fruto da goleada ao Gil Vicente (6-1).
Agora, bem...é fazer o que sempre fizemos. Acreditar que ainda há vida depois da morte, ou seja, que ainda há conquistas pela frente, mesmo que o campeonato tenha morrido hoje.