sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Em Alvalade levas com uma foto, no Dragão levas no côco


O jornal Público faz hoje capa com uma das (supostas) imagens que exaltam a violência e conotações fascistas que, dizem, forram os corredores de acesso aos balneários das equipas visitantes.
Vamos por partes. Em primeiro lugar, demarco-me completamente de qualquer tipo de violência, seja através de implícitas imagens...ou de explícita violência nos túneis de acesso de outros clubes. Não, não estou a justificar a colocação de imagens porque nos famosos túneis do Dragão (e o anteriormente famoso túnel das Antas) ou o mais recente túnel da Luz se tornaram num calvário para muitas equipas visitantes, ou de arbitragem. Estou mesmo a criticar todos os procedimentos, mesmo que desconheça grande parte da violência  praticada e do conteúdo das imagens. 
Em relação à imagem que ilustra esta crónica e a capa do Público, goste-se ou não, parece-me o espelho de uma qualquer claque que apoia um dos grandes. Então, o jornalista não gosta da fotografia de uma realidade dos nossos campos de futebol? Pois, provavelmente não, mas podiam nesse caso fazer capa de jornal e investigar (em véspera de clássico, ou de um outro qualquer jogo, para não parecer propositado) o sub-mundo das claques organizadas, quer das legalizadas quer das...outras.
Noutro registo, recentemente pude ver uma imagem semelhante, só com o encapuzado, para chamar a atenção de que a contrafacção (no caso de produtos Sporting) é crime. A situação é diferente, mas parece que o fetiche do capuz se mantém. Provavelmente teremos modelos masculinos muito feios.
Pode ler-se na crónica que: "O PÚBLICO teve acesso a fotos tiradas num jogo desta época na zona reservada aos intervenientes no encontro e pôde depois comprovar a veracidade delas, numa visita turística ao estádio, onde foi possível ver uma parte desse corredor, já que a outra estava vedada às visitas. Na parte aberta do corredor estava, por exemplo, o painel em que um adepto aparece de braço esticado (tal como nas saudações fascistas), enquanto as imagens com a tatuagem da cruz de ferro não se encontravam neste corredor: estão na área não visitada ou foram entretanto removidas?"
Ou seja, alguém que lá se deslocou mostrou-se chocado com as imagens, vai daí foi fazer queixinhas aos amigos de um determinado jornal (não um qualquer, tem que ser um com conotações azuis, em véspera de clássico) e estes fizeram uma visita guiada, mascarados de sportinguistas, para confirmar as suspeitas. Bem, gabe-se o gesto de ir "ao local do crime", para não estar a escrever sem fundamento, mas as interrogações que deixam no final do parágrafo são no mínimo ridículas. Limitem-se a criticar o que viram, ou peçam a algum amigo que vá como visitante que tire fotos para ilustrar as suspeitas.
Curioso é que ainda nenhuma equipa que visitou Alvalade este ano se referiu ao assunto. Penso que, se as imagens visam intimidar ninguém ainda deu por isso, ou já teria seguido a queixa formal.
Entretanto, como o Sporting não respondeu às questões colocadas pelo referido jornal, decidiram publicar uma frase de Paulo P. Cristovão, datada de Agosto. “Aqui mandamos nós... somos o Sporting”. 
Fico por saber se ele tivesse dito, em Novembro de 1998, que "Gosto de bacalhau à Brás com azeitona preta", se eventualmente também poderia ser adaptada à notícia em causa. 
Por muito menos que esta notícia publicada no Público, o jornalista Valdemar Duarte levou umas valentes galhetadas, recentemente, no Dragão!!