quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Verde alface


De desilusão em desilusão, até à desilusão final. Esta é a sina do Sporting e dos sportinguistas nos tempos mais recentes, a que se decidiu juntar ontem a equipa júnior, no jogo que podia marcar o futuro de muitos dos seus atletas.
Vamos por partes. Se por um lado muitos de nós tínhamos colocado no NextGen Series um objectivo quase como de um salvar de época se tratasse por outro devemos relativizar o resultado de ontem, pois tratava-se somente de uma competição júnior. Ninguém gosta de perder, é certo...o público saiu frustrado, os jogadores saíram de rastos mas, infelizmente, também faz parte do crescimento deles, enquanto atletas, o insucesso.
Alguns dos que ontem se mostraram em Leiria terão um futuro promissor e outros  cairão no esquecimento dos poucos que sabem os seus nomes, numa triagem natural e necessária.
Quanto ao jogo, perto de 7 mil pessoas no Municipal de Leiria, e certamente mais iriam se a equipa profissional do Sporting não teimasse em desmobilizar os adeptos e arrefecer o clubismo. De realçar também uma bancada abarrotada de Vip's e as altas esferas do clube, onde só dei pela falta de GL e de... Eduardo Barroso. Ontem jogava o Real!
O encontro começou, como os comentadores desportivos gostam de dizer, de estudo mútuo, mas parece-me que o Inter trazia a lição mais que estudada. Se é hábito dizer-se que as equipas italianas são cínicas, no modo como abordam os jogos, ontem fomos mais uma vez confrontados com esta característica.
Apesar de ser uma equipa que trata bem a bola, quem se deslocou ao estádio (ou viu pela televisão) não ficou convencido que os italianos fossem melhores que o Sporting. Mesmo que os comandados de Sá Pinto não tenham exibido o seu melhor futebol, foi evidente que as estratégias eram diametralmente opostas. O Inter, desde o primeiro minuto, esteve tacticamente muito organizado e que praticamente não permitia a posse de bola que caracteriza a nossa equipa. Algumas exibições menos conseguidas, dos nossos médios, também não vieram em bom momento, mas o maior poderio físico dos italianos, talvez consubstanciado pela diferença de idades, sejam a justificação. É de recordar que a nossa equipa fez a competição com jogadores de 17/18 anos e o Inter optou por competir com atletas de até 20 anos, mas o torneio é precisamente vocacionado para esse escalão. 
Com todos estes condimentos, a primeira parte decorreu sem grandes motivos de interesse, e só a espaços a bola se aproximava das áreas, mas os guarda-redes de ambas as equipas foram quase só solicitados para atrasos e cruzamentos inócuos.
A segunda parte mostrou um Sporting um pouco mais agressivo e acutilante mas, tal como desconfiávamos, num lance de bola parada e, praticamente no primeiro remate à baliza, os italianos decidiram o jogo. É que a partir deste lance, mesmo que possamos chorar o resto da vida a perdida de Betinho de baliza aberta, o certo é que o Inter juntou 2 linhas de 4 junto à àrea, num catenaccio típico e que fazem do campeonato italiano um dos mais entediantes que conheço, e num anti-jogo típico de equipas matreiras, crescidas mas que envergonham quem gosta de futebol. 
Sá Pinto lançou as últimas armas, mas o destino estava traçado, e só por mero acaso não se tornou numa derrota mais pesada.
Uma nota final. É inacreditável que algum do público presente...que muito dele talvez seja a primeira vez que vê um jogo deste escalão...que provavelmente nem conhece os jogadores e as fases de um jogo, tenha começado a assobiar, perto dos 10 minutos de jogo, numa fase em que o nosso guarda-redes (Rafael Veloso) estava com dificuldade em pôr a bola jogável nos defesas ou médios. Não sei se intranquilizaram a equipa, mas de certeza que não ajudaram.
Se o futebol devia ser um espectáculo e uma festa, muito mais deveria ser em escalões de formação, mesmo que estivesse em jogo a passagem a uma fase importante da competição ou mesmo que o adversário tivesse mandado às malvas os princípios que deviam reger o seu comportamento.