sábado, 28 de janeiro de 2012

Mudar de sexo? Era preferível!


Quando o mercado de transferências está aberto, o sportinguista tem quase sempre um sentimento de esperança e angústia. A expectativa reside na chegada de reforços de qualidade que congreguem os anseios de todos, mas por outro lado o adepto leonino sente alguma depressão com os reforços adversários. Nem todos vivem com um constante olhar sobre o quintal do vizinho mas, acredito que a maioria vive em demasia o dia-a-dia dos rivais.
A rivalidade explica esta relação de inimizade, mas o constante alimentar do voraz apetite pelos nossos ex-atletas trazem sempre algum desconforto. Se Fernando Mendes, Simão, Carlos Martins, Cadete, Nuno Assis, para citar alguns, só começaram a estacionar um pouco mais à frente, já Peixe, Varela, Costinha, Nuno Valente, Futre, Moutinho, Quaresma, Inácio, entre muitos outros, tiveram que aprender outras regras a Norte.
Claro está que quando acolhemos Rui Jorge, Bino, Derlei, João Pinto, Sousa, Pacheco, Sousa ou Jaime Pacheco ou Jardel já a alegria invade a alma de cada sportinguista, mas são casos cada vez mais raros e ameaçam tornar-se em miragens.
Nestes tempos mais recentes tivemos de novo a oportunidade de sentir o reverso da medalha, quando Djaló e Liedson apareceram nas notícias mais recentes, como alvos para azuis-vermelhos. Qualquer que seja o desfecho deste namoro, haverá sempre opiniões para todos os gostos, mas eu continuo a preferir que vão para qualquer parte do mundo menos para os rivais. Prefiro nem imaginar os discursos de ambos, caso optem por dar mais uma facadinha no orgulho leonino, mas o normal é exaltarem os feitos e grandiosidade dos clubes que os acolherem. 
Estas possibilidades (até ver não passam disso) fazem-me  recordar que o cada vez mais raro amor ao clube tem menos seguidores em quem se diz sportinguista, do que noutros intervenientes.
Ontem pude ler a entrevista de Nelinho, o «Expresso da Luz», na antevisão ao Sporting-Beira Mar de Domingo, onde recorda o golo que ditou na única vitória do Beira-Mar em Alvalade, na longínqua época de 1971-72. Pois, se Nelinho era sportinguista, depois de ser contratado pelo Benfica mudou de opinião e hoje figura no topo das suas preferências clubistas, seguidas de Beira-Mar e Braga. O sportinguismo esvaiu-se, por artes mágicas. Já em variadas ocasiões tive que tentar compreender que vírus atinge determinados atletas, que renegam as suas origens para se render a outros amores. 
Simão, por exemplo, saiu de Alvalade para chegar a desejar a derrota do Sporting no campeonato, mesmo que a outra hipótese fosse o Boavista. 
Coentrão nunca vestiu a nossa camisola, mas de ter o quarto ornamentado com peluches de leões e posters do Sporting nas paredes passou rapidamente a dizer que... "devia estar ceguinho", quando confrontado com a sua anterior opção clubista.
Curioso é que não conheço de nenhum caso (e corrijam-me se estiver errado) de algum jogador que se tenha convertido aos nossos ideais, principalmente se o tiverem feito já com a personalidade formada. Haverá muito atleta convertido, nos milhares de jogadores dos escalões de formação que os grandes albergam, mas até aí o Facebook tem sido veículo de atletas melancia, verdes por fora mas vermelhos por dentro. Somos realmente um clube sui generis.
Quando um famoso escritor sul-americano disse qualquer coisa como "pode-se mudar de mulher, de casa, de carro...(eu até diria, de sexo) mas nunca de clube" não deve ter tido em consideração a realidade portuguesa, e a personagens que vendem a alma a qualquer preço ou... com preços a combinar.