sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Os anos dourados


Mário Figueiredo foi na quinta-feira eleito presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, após o acto eleitoral realizado na sede do organismo, no Porto.
O novo presidente da Liga de clubes recebeu 27 votos, contra 21 do seu oponente António Laranjo, que tinha o apoio, entre outros, do Sporting. Esta vitória não deixa de causar alguma estranheza, pois o próprio dono do futebol português e presidente do Porto apoiava Laranjo e veio publicamente dizer que Figueiredo só iria ter o apoio do Marítimo, clube ao qual está vinculado. Afinal parece que os pequenos esqueceram por momentos as alianças com seu tutor e decidiram em prol dos seus interesses que, pelos vistos, irão colidir com os interesses do Sporting.
O comum adepto não se revê em programas eleitorais, jogos de interesses e apoios para retirar dividendos, de que é pródiga a nossa sociedade e a que o futebol não só não é imune como figura no topo dos amiguismos. Se a isto juntarmos o facto do enfraquecimento da Liga, por força da transferência da arbitragem para a Federação, então o acto eleitoral foi quase ignorado pelo comentador de ocasião.
Uma das medidas que o presidente eleito pretende implementar tem a ver com o alargamento da I Liga a 18 clubes. Não sei qual a posição do Sporting, mas salta à evidência que estes avanços e recuos no contingente são nocivos à competição, e reduzirá ainda mais a qualidade global do futebol que por cá se pratica.
Depois da época 90/91 ter sido a última com 20 clubes e a de 2006/07 ver finalmente reduzido de 18 para os actuais 16 participantes, pensei que a influência dos grandes evitassem nova investida para retomar hábitos antigos, mas a medida visa  agradar a uns quantos apoiantes mas também permitir a entrada das equipas B na II Liga. Esse é o único ponto onde vejo algo de positivo nesta medida, pois vai ao encontro das pretensões do Sporting no que respeita ao reactivar da sua equipa B. Mesmo que esta equipa vá requerer um reforço e esforço no orçamento que até já está calculado, parece-me que as vantagens são várias, imediatas e evidentes, mas que ficarão para escalpelizar numa futura crónica.
Quanto ao alargamento,  que em tempos foi modelo para servir os interesses de alguns pequenos clubes e um grande a Norte, veremos o que nos irá reservar. Esses tempos ficaram marcados pela hegemonia da Associação de Futebol do Porto, que ganhou protagonismo e preponderância precisamente através das alianças com clubes filiados que prestavam vassalagem ao seu mentor. Graças aos votos que colhia na Federação por ter mais clubes na 1ª divisão podia, nas guerras de Associações, definir (e usufruir) na escolha e composição dos Conselhos de Arbitragem .
Fruto desta situação desregrada tivemos uns "anos dourados" (não confundir com apitos)  em que havia num contingente de 20 equipas, 12 sediados a Norte do Mondego. Actualmente estão 10 em 16, e dependente das subidas e descidas poderemos ter um cenário tão sui generis como o dessa altura. É que esta deslocalização da preponderância futebolística para Norte tem nos seus defensores a justificação que, em tempos idos, a situação que se colocava era a inversa. Por essa altura falava-se no trauma do Porto passar o Mondego para jogar a Sul. É por demais evidente como souberam inverter a tendência, mas com efeitos bem duradouros. 
Esta eleição para a Liga veio, mau grado todos estes exemplos do passado recente e da influência que alguns grandes ainda têm para com os seus afilhados, dar a entender que algumas ovelhas tresmalharam ou, simplesmente, estão a tratar da sua vida sem precisar pedir a bênção ao Papa.