quinta-feira, 29 de março de 2012

Agridoce


Tenho que começar pelo fim, porque o que fica para a história e para o decurso da eliminatória é o resultado.
Mesmo que saibamos que os jogos duram 90 minutos, e que já por diversas vezes beneficiámos deste factor, o certo é que dói passar de uma situação bastante confortável para um resultado que comporta elevado risco.
Soube-nos a ginjas quando em Alkmaar fizemos a festa depois da hora e quase tão saboroso, também, quando eliminámos o Twente, também com Rui Patrício como protagonista.
A grande diferença é que ainda estamos no intervalo da eliminatória, ao contrário desses golos misericordiosos.
Tem que dar-se mérito a uma equipa desconhecida para muitos, mas que com intérpretes de elevada qualidade técnica comportava um duelo de dificuldade acrescida. O percurso destes ucranianos na Europa não é obra do acaso, mas a segunda parte do Sporting fez acreditar que a noite poderia ter sido perfeita.
Se a primeira parte foi bastante descolorida, em parte por demérito nosso, o certo é que a posse de bola e aparente superioridade do Metalist também não se traduzia em oportunidades de golo.
Um par de remates, de ambas partes, era fraco rendimento para equipas que precisavam de fazer algo para justificar o seu estatuto.
O Sporting que ganhava consecutivamente em casa, para as provas europeias, há seis jogos, defrontava uma equipa que não sabia o que era perder fora esta época, também na Europa.
A balança pendeu para o lado verde e branco, felizmente, mas agora terá que tentar inverter a tendência recente de perder, fora de portas, o que se afigura tarefa complicada.
A segunda parte trouxe um Sporting transfigurado, atitude que se notou logo nos primeiros segundos, quando as incursões e a agressividade incutida inclinaram o campo para a baliza adversária.
As situações de perigo começam a empolgar o fantástico e numeroso público presente em Alvalade (perto de 41 mil), mas também a própria equipa, que começou a acreditar no seu valor.
O golo de Izamilov, aos 51 minutos, era o corolário do assédio à baliza adversária, e a culminar uma jogada de canhotos.
Esse lance trouxe maior tranquilidade à equipa, que passou a trocar a bola com outra objectividade. As arrancadas de Matias iam pondo em sobressalto a defesa contrária, mas do lado ucraniano a explosividade de Taison só a muito custo e sacrifício era parada.
O segundo golo, num livre de Insua, levou-nos às portas do paraíso, e poderia obrigar a férrea defesa ucraniana a abrir um pouco mais, pois teria que ir em busca de um golo.
No entanto, a condição física dos nossos desequilibradores e o amarelo a Carriço, um gigante que hoje se plantou no nosso meio-campo, fizeram o jogo pender para o nosso campo  e perdermos a capacidade de gestão da posse de bola.
Apesar de Renato Neto ter estado globalmente bem, notou-se sobremaneira a forma menos intensa de abordar determinados lances, o que começou a causar alguns calafrios junto à nossa área.
As substituições poderiam ter causado um desequilíbrio maior na eliminatória, pois a velocidade de Jeffren e Carrillo, em detrimento de Izma e Capel, poderiam dinamitar a defesa contrária, mas tal infelizmente não veio a acontecer.
Foi numa das muitas incursões pelo meio, e na incapacidade para ocupar um determinado espaço, que ocorreu o remate frontal que proporcionou mais uma fantástica defesa de Patrício, que no entanto acabaria por cometer penalti, numa abordagem precipitada pois o controle de bola de Devic não foi o mais correcto.
Foi uma pena para o Sporting, para os seus devotos adeptos e também para Patrício, que deveria ficar na memória pela relevante exibição, mas pode ter ficado ligado ao futuro da eliminatória.
Após o golo, já após o minuto 90, o treinador do Metalist deu claras indicações que este era um resultado do seu agrado (obviamente) e inclusivamente operou uma substituição para queimar tempo.
O apito final fez-se ouvir , com esse sabor agridoce da vitória pela margem mínima.
Uma história completamente diferente será a da segunda mão. Não há jogos iguais, mas são várias as condicionantes para esse jogo, que esperemos nos conduza ao mais que provável duelo com o Bilbao.
Logo à partida, o estado do relvado não deverá ser o propício para equipas técnicas, mas convém recordar que a própria equipa do Metalist, fruto do seu sotaque sul-americano, fundamenta o seu jogo nessas capacidades.
O ambiente, obviamente, será adverso, mas o Sporting tem que estar preparado para suportar essa pressão.
Contudo, a ausência de Carriço vai ser a nossa maior dor de cabeça, mas a nossa "Aspirina" poderá ser a ausência da dupla de centrais que hoje jogaram em Alvalade.
Torsiglieri e Papa Gueye não poderão figurar no onze adversário, e esperemos que o Sporting saiba aproveitar esta ausência.
É que marcar golos em Karkhiv é quase obrigatório.