segunda-feira, 19 de março de 2012

Auto da Festa ou da Barca do Inferno?


Apesar da enorme jornada de Manchester, acredito que na maioria dos espíritos leoninos paira uma grande dúvida sobre que Sporting se apresentará logo à noite, em Barcelos.
Mesmo que a promessa dos responsáveis seja de que a atitude e querer se manterão, já há muito nos habituámos a situações semelhantes, a passar de bestiais a bestas ou do 80 ao 8 em pouco tempo, a dar primeiras partes de avanço ou a andar ao ritmo do futebol português.
Se não fosse normal esta bipolaridade, então não seria necessário os próprios responsáveis virem proclamar que o Sporting se apresentará com a mesma atitude de 5ª feira.
Estas dúvidas ou suspeitas só serão desfeitas no decurso do jogo, isto se Bruno Paixão não se armar em protagonista, como tanto gosta, de modo a que todas as questões técnico-tácticas passem para segundo plano.
Dúvidas também podem pairar sobre que Gil Vicente fará frente ao Sporting. Já me daria por satisfeito se fosse um Gil com um desempenho entre o que nos venceu para a Taça da Liga e o outro a quem lhes aviámos 6 para o campeonato. Contudo, salvo raras excepções, tal como o Sporting de duas caras, também os nossos adversários geralmente têm uma questão psiquiátrica pendente. Quando nos defrontam tentam sempre fazer o jogo da época, ao passo que se resumem à sua grandeza quando jogam com os do seu campeonato ou com os outros grandes, dentro e fora do campo.
Desde a decisiva vitória em Alvalade para a Taça Lucílio, os gilistas só voltaram a vencer mais uma vez, e nos últimos 4 jogos só lograram um empate, tendo perdido os outros 3 jogos. Estes números não nos devem fazer esperar facilidades, pois para lá da natural motivação que, como disse, todos adquirem quando nos defrontam, a nossa tradição no estádio barcelense deixa muito a desejar.
As estatísticas existem, é certo, mas só servem para florear a história. Aliás, até podem/podemos usá-la para contornar ou mascarar outras certezas. A certeza, contudo, é que não é famosa a nossa performance por aquelas bandas, como atestam as 6 vitórias em 15 jogos.
6 vitórias, 5 empates e 4 derrotas é o fraco pecúlio de uma equipa grande perante um adversário de poucos créditos. Só para justificar o que digo, se compararmos estes números às nossas visitas a Guimarães ( 39 V, 20 E 16 D ) sendo este um adversário de outro gabarito, dá para perceber que de Barcelos não correm bons ares para as nossas cores.
Como disse, as estatísticas também podem servir outros interesses, como hoje atesta a primeira parte do Record: "Treinador foi o pai da última vitória em Barcelos, há 7 anos, ao marcar 2 golos". Efectivamente, uma verdade insofismável. 
Poderiam também dizer que, daí para cá, só jogámos na época seguinte (2005-06), com o resultado final a quedar-se por um empate a 2, após o que os gilistas foram relegados para outros campeonatos.
O blogue do Núcleo também foi investigar, e descobriu que o Sporting já não vence em Évora, para o campeonato, desde 1965. Sá Pinto ainda não era nascido, pelo que não sabemos quem foi o pai dessa vitória.