domingo, 18 de março de 2012

МАРАТ ИЗМАЙЛОВ


São vários os factores que levaram à recente transfiguração do futebol leonino. Se muitos apontam Sá Pinto como o grande obreiro desta operação de cosmética, não nos devemos esquecer dos que, em campo,são os impulsionadores das ideias e estratégias do treinador.
Um dos jogadores mais acarinhados mas também com mais qualidade do nosso plantel tem nos seus pés um talento quase sem comparação no nosso futebol, mas é ao mesmo tempo pouco dado a aparições públicas, pelo que uma entrevista de Izmailov é sempre para ler com agrado.
Hoje, o Jornal O Jogo faz, na sua versão online, um resumo da entrevista dada pelo nosso 10 ao jornal russo "Soviet Sport". 
Na versão completa podemos por exemplo ler e compreender as diferenças no estilo de jogo, porque se passou do passe longo para o controle da posse de bola e passes curtos, ou sobre as expectativas para a época.
A entrevista foi concedida antes da eliminatória com o City, mas continua bastante actual.
Se nos munirmos da ferramenta de tradução do Google, podemos ler na íntegra esta entrevista, mas dado que à tradução online ainda temos que juntar alguma dose de paciência e bom-senso para perceber certas passagens, deixo aqui o resumo feito pelo O Jogo.

É Izmailov quem o garante: há uma nova filosofia com a chegada de Sá Pinto. É fundamental dar tudo no relvado, com enorme sentido coletivo e acabar de consciência tranquila, de preferência com a obtenção dos resultados desejados. "A confiança é mútua, dentro e fora do campo, e libertadora", enfatiza o Czar, explicando em que medida as coisas mudaram. A atitude trouxe vitórias (para além da "derrota" no Estádio Etihad os leões só caíram - de pé - em Setúbal) e os jogadores começaram a dar os primeiros sinais de que as mudanças impostas iam na direção certa: primeiro Marcelo disse que todos passaram "a correr", depois foi Capel a afirmar que estavam "com Sá Pinto até à morte" e agora foi a vez de Izmailov, em entrevista ao "Soviet Sport", regozijar-se pela forma como são tratados internamente e os efeitos positivos daí resultantes.
Recordando que "as lesões são passado", Izma diz que responde à confiança que Sá Pinto lhe transmite com "produtividade". "Vamos para os jogos com sede de luta e de vitória. Encaramos todos os adversários com a mesma responsabilidade", garante, descrevendo ainda como o estilo de controlo do balneário mais liberal e mais próximo levou a maior rigor e disciplina dentro de campo: "Não há um controlo tão rigoroso. Antes, quanto à disciplina fora de campo, havia muitas regras e limitações. Às vezes coisas pequenas, como telefonemas, brincadeiras, hora de apagar as luzes... Agora temos mais liberdade. A confiança é libertadora, até porque somos uma equipa de adultos que sabe como se preparar para o trabalho. No campo não pode haver indulgência. Aí somos exigentes. A disciplina é clara! Tenho as minhas funções pelas quais tenho de responder. Confio no Sporting..." O russo exemplificou o estilo e a relação com Sá Pinto revelando que este "reagiu de forma calma e afável" em vez de o "repreender e mandar para o quarto" quando o apanhou à meia-noite, antes do jogo com o Rio Ave, a tomar um café. E resultou, pois marcou o golo da vitória! 

Izmailov chegou a ser citado como mais um jogador de cristal, dada a reincidência de lesões, mas o russo não fica magoado com quem faz a comparação, até porque, recorda, "não faz sentido negar" que perdeu praticamente metade dos jogos em Portugal por lesão. "Não magoa", dispara, explicando a sua postura perante as críticas e os azares: "Não fui o primeiro nem serei o último a ter de lidar com muitas lesões. Gosto de olhar sempre em frente, e de fazê-lo com otimismo." A indisponibilidade para jogar gerou problemas a Izmailov, nomeadamente quando em outubro de 2010 atacou fortemente a estrutura dos leões no mesmo jornal russo desta entrevista, o "Soviet Sport". "Desde essa altura toda a estrutura do clube mudou. Os mal-entendidos fazem parte do passado. Hoje está tudo bem", conclui. 

Para Izmailov o sucesso pessoal só faz sentido com o coletivo, de forma a poder ter "emoções positivas" no final dos jogos. Daí que diga que lhe é indiferente "marcar ou dar a marcar desde que a equipa ganhe". Contou como de forma espontânea lhe saiu mais um "cocktail Izmailov" contra o Rio Ave ("A bola ficou-me mesmo a jeito"), e justifica o facto de estar mais concretizador (cinco golos): "Muitas vezes caio em zonas centrais, na posição de apoio ao ataque. Logo, fico em boas posições para rematar e marcar. Antes era mais defensivo." 

Izmailov não deixa de ter em mente o regresso à seleção. "Três vagas livres? Claro que gostava de ir ao Europeu. Em alguns meses tudo pode mudar. Quem produz no seu clube pode ter uma chance", comentou o sportinguista, que considera "um paradoxo" o facto de agora não ser chamado. Um entendimento que vai de encontro ao do ex-selecionador Yuri Semin, que defende que "tem condições para jogar no Euro 2012". "É ótimo jogador com talento, não entendo porque não foi chamado", acrescentou o técnico que o lançou no Lokomotiv.