sexta-feira, 16 de março de 2012

O perigo que vem de Leste

Mesmo tendo em consideração que o jogo seguinte é sempre o mais importante, e o Gil Vicente apresenta-se como o próximo obstáculo a focalizar, a relativa euforia fruto do jogo de ontem, bem como o sorteio esta manhã realizado, leva-me a dar uma vista de olhos no Metalist e a tecer algumas considerações.
Apesar de ainda estarmos a quase duas semanas de distância da recepção aos ucranianos, um breve relanço pelas variadas opiniões que encontramos no universo leonino (e não só) dá para perceber o excesso de optimismo com que se encara esta eliminatória.
Se bem que, também eu, apontava esta equipa como um dos adversários ideais, tal não configura que estes sejam a chamada "pêra doce". Esse foi precisamente o erro que cometeu o City, ao constatar que uns "desconhecidos" portugueses seriam um pró-forma na sua caminhada até à final. O facto de também constar das minhas escolhas como adversário preferencial tem, simplesmente, a ver com ordem de grandeza e peso institucional. Sabemos as dificuldades genéticas que temos para enfrentar clubes espanhóis, alemães e italianos, pelo que os dois primeiros não recaíam na normal escolha que cada um faz, antes de cada sorteio. Além disso, o peso que estes países têm no seio da UEFA colocam dificuldades adicionais, às quais umas vezes conseguimos sobreviver mas, na maior parte das vezes, acabamos por sucumbir.
Espreitando para o que tem sido a época do Metalist, pouco falta para terem um percurso imaculado. Na competição interna o lugar que lhes está destinado continua a ser o 3º, atrás dos históricos D. Kiev e Shaktar, mas as diferenças pontuais são cada vez menores. Há 7 anos que esta equipa fica no último lugar do pódio, mas se anteriormente ficava a 15/20 pontos do campeão, actualmente está a 7 pontos e ainda anseia por se chegar ao 2º lugar, pois ainda tem que receber o Shaktar. A única derrota no campeonato foi caseira, frente ao provável campeão D. Kiev, já no longínquo mês de Novembro. Aliás, a derrota é um resultado quase desconhecido para esta equipa. Somente 3 derrotas em toda a época atestam a qualidade e o perigo que de Leste advém. A derrota por 1-0 para a Taça da Ucrânia, a referida para o campeonato e a recente da Liga Europa, com o Olimpiakos, sempre pela margem mínima, devem deixar todos de sobreaviso.
Nas competições europeias, apesar de terem começado com um empate caseiro a zero, contra os franceses do Sochaux, foram ao terreno adversário garantir a entrada na fase de grupos com um concludente 0-4, com golos dos argentinos Cristaldo e Sosa (este com passagens por Bayern Munique e Nápoles)  e do brasileiro Taison.
Na fase de grupos foram vencedores incontestados, ao terminar com 14 pontos, contra os 8 do Az Alkmaar, líder do campeonato holandês e também presente nesta fase da competição. Empataram os dois jogos com os holandeses e venceram os outros 4 jogos, com vitórias por 4-1 sobre Malmo e Áustria Viena.
Como é sabido, nos 1/8 de final desenvencilharam-se do Olimpiakos, proveniente da Liga dos Campeões, carimbando a passagem com uma vitória em Atenas.
Resta dizer que o calendário também não é nada favorável ao Sporting, pois o jogo da segunda mão é na véspera de defrontar o Benfica, para o campeonato, enquanto os ucranianos têm jogos de dificuldade mínima, na antecâmara do embate europeu.
Convém também não esquecer que a época do Sporting já vai em 51 jogos, enquanto o Metalist disputou 36...e ainda teve a pausa de Inverno, para recarregar baterias.
Feito este pequeno balanço, talvez seja altura para guardar os foguetes e não pensar, por antecipação, em Bilbao (ou Shalke, para os mais esquecidos ou distraídos).