sexta-feira, 9 de março de 2012

Pescadinha de rabo na boca


Tal  como tinha referido, ontem não foi possível fazer a crónica de um dia em cheio, mas, as circunstâncias assim o ditaram. A jornada começou bem cedo, em que decidimos aliar a ida a Alvalade com um roteiro gastronómico bem preenchido, e dado que só chegámos a bom porto já ao virar do dia, decidi adiar o relato do estado de alma e de sensações positivas.
Apesar de já não fazer muito sentido fazer agora grandes referências ao jogo, dado estes terem um prazo de validade muito curto, não podia deixar de vir deixar aqui algumas sensações relativas à primeira parte desta eliminatória.
Antes de colocar água na fervura de uma euforia quase incontida, devo dizer que estes momentos devem ser vividos, antes de pensar que ainda vamos a meio de uma eliminatória que se afigura, ainda assim, tremendamente complicada e onde somos, apesar deste resultado, os patinhos feios.
Não ganhámos nada a não ser um jogo, é certo, mas dado o passado recente desta equipa, da montanha russa de emoções que nos transmite, ora levando-nos a crer que desta é que é, ora fazendo-nos vociferar e lamentar que já não sejamos tão grande como a história nos consagrou, a realidade é que é sempre bom acreditar e saborear estes momentos.
Antes de nos metermos à estrada para Lisboa, ainda fui uma última vez ao Estádio virtual para saber que ambiente nos esperaria em Alvalade. A previsão de perto de 25 mil pessoas era desolador, dada a importância do jogo e a qualidade do oponente. Quando, perto da hora do jogo, ainda longas filas serpenteavam por entre quem queria aceder ao Estádio, comecei a acreditar que os sportinguistas que, este ano, raramente abandonaram a equipa, diriam uma vez mais presente. 
Foram perto de 35 mil os que puderam assistir ao melhor jogo da era Sá Pinto, e um dos mais intensos de toda a época. Foram perto de 35 mil que empurraram a equipa para uma exibição de raça, foi uma equipa que nos fez acreditar que podíamos ombrear com um dos colossos mundiais.
Foi uma pescadinha de rabo na boca. A equipa puxou por nós, e nós pela equipa. 
Ao contrário daquele cenário tão habitual, do espectador passivo na bancada, com o saquinho de pipocas e os óculos 3D, desta vez todos cantaram, gritaram, pularam e até choraram, do primeiro ao último minuto.
Tal como previra, o Sporting agigantou-se, como os pequenos do nosso campeonato fazem quando nos defrontam, e foi tocante ver os 11 que pisaram o relvado não dar uma bola por perdida, como se de uma final se tratasse...ou como fazem os pequenos.
Pena é que não seja sempre assim, como é a obrigação de quem veste a nossa camisola. 
A nossa equipa jogou nos limites, e até Sá Pinto veio dizer que fomos perfeitos. Em termos ofensivos, fizemos muito pouco para achar a equipa perfeita mas, como ainda está em plena aquisição de novos conceitos, vou esperar que a perfeição apregoada por Sá tenha sido relativamente a todos os outros processos. 
O City, esse, armou-se em Sporting, quando joga contra os pequenos, e achou que mais cedo ou mais tarde a bola acabaria por entrar. Mas não entrou.
Não há dois jogos iguais, e o City aprendeu a lição que nós já devíamos ter aprendido há muito, quando se joga contra equipas supostamente inferiores. O factor surpresa desapareceu, e o jogo de Manchester será terrível, mas antes disso temos um jogo de fulcral importância para os nossos parcos anseios, na Liga Zon. 
Nem sequer vou salientar este ou aquele jogador porque, como toda a gente teve oportunidade de ver, todos estiveram à altura de vestir a camisola listada. 
Resta desejar toda a sorte do mundo (porque bem a vão necessitar) para a abordagem à segunda parte da eliminatória mas, até lá, é disfrutar deste momento que nos proporcionaram e, principalmente, que no jogo com o Guimarães, não dispam o fato-de-macaco e demonstrem toda a sua fibra.