quarta-feira, 7 de março de 2012

Depois da Gralha, o papagaio


Quando o Sporting está metido ao barulho, tudo e todos se sentem incomodados. Chega a ser deprimente ter que viver num futebol tão mesquinho e subserviente como o nosso.
Depois do episódio da agressão, que afinal no relatório da Gralha de Setúbal consta como  atitude antidesportiva, pois Carrillo terá alegadamente encostado a mão na cara de Miguelito, surge agora um comunicado da equipa setubalense a defender o seu jogador (o que é natural) mas a atirar-se de unhas e dentes ao Sporting (o que já não me parece tão óbvio).
Aliás, o jornal O Jogo chegou a avançar com alegadas declarações do jogador do Vitória de Setúbal: «Vai para p... que te pariu» e «Vai para o ca...» foram expressões proferidas por Miguelito, que terá mesmo insultado o jogador dos leões com expressões racistas: «És um preto do ca...!» ou «nasceste preto, vais ser preto toda a vida!».
Já quando, recentemente, ocorreu episódio semelhante entre Javi Garcia e Alan, mesmo que tenha havido o natural desfile de figuras a defender uma e outra versão, a defesa do Benfica foi feita pela boca do presidente benfiquista, sem terem posto em causa as relações institucionais.
O comunicado que hoje é emitido vai, com certeza, merecer da parte do Sporting uma atitude mais enérgica, ao contrário do que sucedeu no final do jogo de Setúbal. É que a suspeição lançada no ponto dois do comunicado que seguidamente podem ler, e onde se surpreendem pelo facto do Sporting só se ter queixado 3 dias depois do sucedido, também à maioria dos sportinguistas causou estranheza. Sim, causou estranheza o facto do clube ter sido lesado durante todo o encontro e não se ter manifestado por ninguém da estrutura técnica ou directiva. Causou estranheza a atitude provocatória dos atletas setubalenses, com a conivência arbitral...causou mais estranheza ainda o estranho silêncio, perante tão degradante espectáculo. 
Sem mais comentários da minha parte, pois certamente faria alusões pouco abonatórias relativamente a um clube que já me foi simpático, fica o referido comunicado e, tirem as ilações que acharem convenientes ou, associem o Setúbal a quem quiserem, pois há muito que deixou de andar pelo seu próprio pé.




Comunicado:
1- Foi hoje tornada pública através de diversos órgãos de comunicação social a participação disciplinar intentada pelo Sporting CP junto do organismo competente para o efeito contra “Miguelito”, jogador do Vitória Futebol Clube, acusando-o de ter proferido insultos racistas dirigidos a André Carrillo.
2- Após o jogo compareceu no “flash-interview” um jogador e o técnico do Sporting, na conferência de imprensa esteve presente o diretor de comunicação e o treinador, na denominada zona mista foram ouvidos jogadores e nos dias seguintes surgiram reproduzidas na imprensa declarações de vários atletas do clube Lisboeta. Nada disseram sobre a alegada conduta do jogador do Vitória.
Causa pois enorme estranheza e perplexidade que só decorridos três dias venha o Sporting queixar-se quanto à gravidade dos factos que, a serem verdade, impunham uma reação espontânea e imediata por parte de quem direta ou indiretamente se sentira visado, o que não aconteceu.
3- “Miguelito” está de consciência tranquila – o que é próprio de quem se encontra inocente e com a convicção de que a verdade prevalecerá sobre tais afirmações difamantes.
Todavia, encontra-se transtornado por ver colocada em causa a sua honra e idoneidade enquanto homem e profissional, que lhe advêm de ser possuidor de um longo percurso reconhecidamente exemplar e incólume no futebol português.
4- Quanto à posição do Sporting desconfiamos de mau perder e inclinamo-nos para manobras de diversão que têm como único intuito o desviar das atenções daquilo que efetivamente se passou dentro do campo, onde o Vitória se limitou a ser melhor que o adversário e a ganhar o jogo, parecendo até que isso é proibido tal o rebuscado da posição agora assumida.
5- É inacreditável que numa situação em que “Miguelito” é esmurrado na face por Carrillo (que viu o cartão vermelho) o Sporting queira agora vir inverter a realidade dos factos e transformar o seu jogador de agressor cobarde em vítima, numa mera tentativa de desculpabilização que ignora os princípios da honestidade e verdade desportiva.
6- Choca que quem se arroga paladino dos bons costumes e defensor de nobres causas não tenha tido um mero pedido de desculpas ao Vitória e aos Vitorianos perante o deplorável comportamento (infelizmente habitual nos últimos tempos) das suas claques, autoras de cânticos infames durante o jogo, destruição massiva de centenas de cadeiras e arremesso das mesmas quer para dentro do campo quer para o seu exterior, causando até um ferido grave que se encontra ainda hospitalizado e em estado de coma.
Mais grave ainda que tais situações tenham sido presenciadas pelos dirigentes do clube, mudos quanto a violência própria mas tão lestos em acusar, infundadamente, terceiros.
7- O Vitória Futebol Clube não aceita lições de bons costumes e probidade de ninguém e muito menos acusações de racismo a qualquer seu elemento, ainda por cima num momento em que o Clube iniciou uma cooperação desportiva com Angola, alicerçada precisamente na igualdade e respeito mútuo, não admitindo qualquer intromissão suscetível de a afetar.
8 - O Vitória, seguro da inocência do jogador, defendê-lo-á, se assim for o caso, junto das instâncias desportivas e colocará à disposição do mesmo os meios necessários caso este entenda obter reparação da ofensa à sua honra e imagem ora ofendidas.