segunda-feira, 22 de julho de 2013

Copo meio cheio

Tal como já tive oportunidade de referir, na sequência dos jogos da Taça de Honra AF Lisboa bem como do encontro com o Peñarol, foram vários os apontamentos positivos que pudemos observar.
Outros não terão sido tão do agrado dos adeptos, mas serão certamente aproveitados pelo treinador para limar essas arestas.
Já os adeptos farão várias leituras, consoante o seu grau de optimismo, porque há sempre análises para todos os gostos,.
Uns estarão orgulhosos dos seus meninos, e salientarão o facto de não termos perdido nenhum dos jogos, mesmo com adversários de alguma valia.
Outros dirão que os petizes não poderão ser a espinha dorsal de uma equipa que se quer vencedora, e poderão até salientar que não ganharam nenhum dos dois jogos.
É a história do copo meio cheio, ou meio vazio.
Pela minha parte, apesar de concordar que o trajecto de uma equipa sustentada em miúdos não será nada fácil, fico satisfeito com estes pequenos feitos. Está certo que quem está habituado a grandes vitórias e ambições não se devia alegrar com tão pouco mas, com o panorama desolador dos últimos anos, devemos reorientar as nossas prioridades.
Quem também teve sentimentos contraditórios foram os nossos rivais.
Ontem, ao auscultar o sentir dos benfiquistas, foi com naturalidade que me apercebi que a maioria dos adeptos encarnados dizia não reconhecer valor a esta competição, alegando que os únicos troféus oficiais são o campeonato, Taça de Portugal e a Taça Lucílio Batista.
Será normal que assim pensem, como seria normal que fossem todos a correr para o Marquês lançar o fogo-de-artifício que está encaixotado, caso tivessem vencido a Taça de Honra que será exposta no nosso museu, antes que o foguetório passe de prazo.
Menos normal será ter visto hoje, num daqueles canais noticiosos, um especialista da modalidade referir que a competição nestes moldes faz pouco sentido.
Mesmo que devamos concordar que a Taça de Honra já teve melhores dias, é compreensível que a competição tenha que recuperar a sua importância no calendário e prioridades das equipas, depois de ter sido durante anos votada ao abandono.
Contudo, o Sporting (e demais equipas) cumpriram os regulamentos em vigor, e não foi certamente a equipa vencedora a culpada de uma menor qualidade do futebol praticado.
Foi, aliás, a que melhor futebol praticou, e que chegou, em determinados momentos, a ofuscar os seus adversários.
Se a competição foi composta por uma equipa que irá participar nas competições europeias, (e que apresentou todos os seus trunfos) por uma equipa da Liga Zon (que também se fez representar pelo seu plantel principal) e ainda pelo clube que quase-venceu-tudo-o-que-havia-para-vencer, com muitos dos jogadores que já foram apontados como futuras estrelas do futebol mundial, não caberá provavelmente à equipa que ergueu o troféu a responsabilidade de uma competição com algum défice de qualidade.

Claro está que, para o referido jornalista, pode não ter sido agradável ver a sua equipa (deduzo) produzir tão pobres espectáculos, mesmo que os responsáveis do Benfica tenham vindo, à posteriori, congratular-se pela boa unidade de treino que tiveram ao dispor. 
No entanto, o referido senhor devia estar ciente que as diversas competições não são encaradas pelos clubes como o mesmo grau de interesse
Não sei se alguma vez terá desconsiderado a Taça Lucílio, que foi durante alguns anos o grande objectivo dos encarnados, só porque o Porto decidiu marimbar-se para a competição, mas a arbitragem portuguesa tratou de lhe conferir a cotação actual.