sexta-feira, 25 de maio de 2012

Cá vai


Quem segue com alguma atenção este blogue já deve ter reparado que a escrita rege-se pela educação, mesmo que o sarcasmo, o humor e a ironia povoem algumas das linhas que produzo.
Frustrações como as que se seguiram ao final da Taça de Portugal podem provocar sentimentos díspares e, em virtude de um estado de espírito alterado, posso também tecer considerações desgarradas ou algo contundentes.
Contudo, hoje não estou sob stress de qualquer competição e, a acreditar no que vem escarrapachado na totalidade das publicações desportivas, provoca-me sentimentos de raiva...mas também de impotência.
A ser verdade a venda dos recentes campeões júniores Edgar Ié e Agostinho Cá (depois de já terem vendido João Carlos ao Liverpool, talvez para pagar a água e a luz em atraso) este desvario começa a denotar uma total irresponsabilidade na gestão do pouco património que o Sporting possui.
Poder-se-ia fazer a comparação entre as compras e vendas do Sporting, por exemplo, com quem melhor compra e vende em Portugal, mas isso já se tornou um exercício doloroso e inconsequente.
Pelos vistos, teremos que passar a comparar com as nossas próprias vendas, por muito ridículas que sejam, e pensar que os 800 mil euros que se fala  estes dois jovens vão render no imediato, quando comparados com os 3 milhões e mais umas patacas gentilmente cedidas pelo Valência para aquisição do lateral direito da selecção, talvez seja um valor justo.
Com esse dinheiro, dado que como referi já está paga a água e a luz, podem tentar comprar algum primo do Rabiu Ibrahim que, recorde-se, custou sensivelmente o mesmo valor destes que hoje se fala.
Podemos, assim, voltar a empenhar-nos nesta cruzada de ir buscar algum valor emergente para depois o ceder graciosamente, bem lavadinho com detergente.
Como é possível constatar pela constituição e construção dos plantéis dos 3 grandes, o Sporting é aquele que mais aposta e depende da formação, precisamente por contingências orçamentais, ao invés dos seus rivais, que apresentam equipas dignas da Copa dos Libertadores ou Sudamericana. Ao desbaratar esse filão, transaccionado alguns dos valores mais promissores, o Sporting está também a comprometer o futuro...para aqueles que ainda o conseguem vislumbrar.
A cedência de Edgar Ié mas, principalmente, Agostinho Cá, que tive oportunidade de referir por diversas vezes como um jogador com enorme potencialidade e que a muito breve trecho poderia integrar o plantel principal do Sporting, é mais um erro estratégico, um rombo no casco deste cacilheiro que já foi porta-aviões e que faz temer o que está por detrás de cada uma destas negociatas.
Em tempos, esta equipa italiana que hoje é dada como a mais recente proprietária dos atletas em causa, adquiriu um contentor de jogadores ganeses que se tinham proclamado campeões com a sua selecção de sub17 mas desconheço, embora desconfie, se o seu futuro foi promissor.
A partir deste momento deixo de querer saber como vai a vida de Ié e Cá, dado que vestirão outras cores mas espero que, como tantos outros, não se tenham enredado nas teias de quem os vê como fruta que amadurece rapidamente.