quarta-feira, 16 de maio de 2012

Sacos de amendoins


Já referi vezes sem conta que não compro jornais desportivos, mas vou comentando o que me é possível saber pelas entrelinhas.
Quando o faço, deixo sempre as interrogações próprias de quem não acredita em metade do que vem lá escrito, e por vezes arrisco-me, portanto, a estar a comentar lixo jornalístico, pelo que algumas crónicas são passíveis de ir directamente para o baú do esquecimento.
Já é referido há muito o interesse do Valência em João Pereira, e hoje o fogoso lateral direito leonino e da selecção volta a merecer a atenção dos desportivos.
A saída de J.P. não é algo que me tire o sono, mesmo que recorde os melhores jogos de leão ao peito, onde gastou a relva (já de si algo sensível) da lateral que calcorreou sem parar.
As pilhas de longa duração também são perecíveis, pelo que em determinada fase da época também se notou menor fulgor. No entanto, sempre foi um guerreiro (com alguns excessos desnecessários) e ninguém o poderá acusar de virar a cara à luta.
Sair do Sporting é uma inevitabilidade, Se não for este ano poderá ser no seguinte, se não for nesse...poderá ser daqui a 4 ou 5, mas acabará por acontecer.
Contudo, o que me causa estranheza é...será o facto do lateral poder ser transaccionado pelos valores que se fala, e antes da realização do europeu.
Em primeiro lugar, os valores que são referidos falam por si. 
Mesmo que eu saiba que os jogadores do Porto (só para referir um exemplo de um emblema do mesmo mercado) estão sobrevalorizados, bastando referir os dois laterais direitos que dali saíram (Paulo Ferreira e Bosingwa) por valores a rondar os 30 milhões, um jogador que foi adquirido por 3 milhões, que é titular indiscutível, que tem contrato até 2014, que tem uma cláusula de 20 milhões (fonte zerozero, mas também já li que é de 7 M€) nunca deveria ser negociado por valores inferiores ao dobro dos 5 milhões que hoje se fala.
Em segundo lugar, não deveria ser menosprezado o facto do jogador ir ser titular indiscutível no próximo europeu e poder valorizar exponencialmente o seu passe.
Meio mundo estará de olho nesse torneio e, mesmo que João Pereira seja conhecido e reconhecido pela maioria, uma boa campanha poderia ser favorável ao Sporting e às exigências do próprio jogador.
Num caso que nos toca particularmente, basta recordar que o Sporting teve Emanuel Amunike referenciado durante largo período, não o adquiriu quando custava 3 sacos de amendoins e resolveu esperar (ou foi forçado a isso, como nós o deveríamos fazer com J.P.) e, após ser considerado jogador africano do ano, de ter conquistado a Taça das Nações Africanas e ter feito um óptimo Mundial nos E.U.A. (1994) acabou por ser contratado por valores muito superiores aos que estavam em perspectiva.
O Sporting tem demonstrado ao longo dos anos que é um péssimo negociante,e parece que se prepara para transaccionar o lateral antes da competição que é uma montra de negócio, e pelos vistos só falta perguntar ao Valência se não quer meter mais 2 milhões em cima da mesa e levar o Patrício e ficar com a preferência sobre algum júnior.
Claro está que estamos a falar de suposições mas, as sucessivas direcções do Sporting têm créditos provados na falta de capacidade negocial. Este défice não é uma doença recente, bastando para isso recuar até à ida de Futre para o Porto e a saída por...1 saco de amendoins de Figo para o Barcelona, para constatar que deitar dinheiro pela janela é quase um karma.