quarta-feira, 2 de maio de 2012

Mitos e ditos


Fernando Mendes, considerado um dos grandes capitães do Sporting, deixou uma mensagem de agradecimento aos adeptos do clube e, em entrevista ao jornal do clube, mostrou-se confiante numa época positiva, considerando ainda que «a época pode ser brilhante», caso alcance o 3º lugar no campeonato e conquiste a Taça de Portugal.
Quem sou eu para contrariar Fernando Mendes ou outro grande símbolo leonino mas, como também tenho direito à minha opinião,  quer-me parecer que este espírito que preside alguns sportinguistas é que levou o clube a lugares que não lhe pertencem.
Mesmo que seja consciente que nem sempre podemos alcançar todos os objectivos a que nos propomos ou aos quais somos, por força da nossa tradição, candidatos, não me deixo inebriar por conquistas menores, que só vêm maquilhar os insucessos.
O campeonato nacional, que já nos foge há 10 anos e, deste modo, vinca este jejum como o 2º maior da história leonina é, e será sempre até prova em contrário, o grande objectivo do Sporting.
É nele que os adeptos se revêem, é ele que reforça o estatuto e a hierarquia em Portugal e até mesmo fora dele. É este que proporciona a ida à Liga dos Campeões por via directa, e não um 3º lugar que dá acesso a um playoff, do qual estamos calejados, pelos piores motivos. A sorte, nesse processo eliminatório, teima em ser-nos madrasta, tanto no adversário que nos toca em sorte, como nos enviados pela UEFA, para garantir que os clubes de países com relaçõe$ privilegiadas se mantenham em prova (Quem se consegue esquecer da Udinese, e dos "penalties" nas duas mãos de acesso à Champions, só para dar um exemplo?).
Já admitia, eventualmente, e até reconhecia como uma época brilhante, a conquista da Taça de Portugal e da Liga Europa, algo muito mais difícil de conseguir, e a prová-lo está o facto de não vencermos uma prova continental há quase meio século. Esse jejum é muito mais prolongado e difícil de contrariar. Finais e meias-finais europeias para perder, por muito que insistam, troco-as de bom grado por um Campeonato Nacional, ou até por uma Taça da cerveja.
Se para arrebatar a Taça de Portugal "só" temos que demonstrar em campo que somos melhores que a equipa de Coimbra, em terreno neutro, desde que não hajam factores alheios ao normal desenrolar do jogo, já em relação ao 3º lugar são muitos os factores que nos são desfavoráveis.
Eu sei que as estatísticas estão para o futebol como os tremoços para a cerveja...mas de vez em quando não vem mal nenhum ao mundo olharmos para elas, para compreendermos o que a história se encarregou de fabricar.
Primeiro,devo dizer que dou como adquirida a vitória do Braga sobre o Beira-Mar, mesmo com os resultados negativos que os bracarenses têm coleccionado nas últimas jornadas. O Beira-Mar vai a Braga com a permanência garantida, para o qual também contribuímos vencendo a Académica, e o árbitro bracarense designado para apitar em Aveiro na última jornada tratou de expulsar dois jogadores do Beira-Mar, antes da visita destes ao seu burgo. Parece-me óbvio o que irá acontecer.
Posto isto, só nos interessa a vitória no Dragão.
É aí que entram as estatísticas, se quisermos refrear a euforia em torno da nossa equipa, ou sermos realistas em relação ao cenário que se apresenta.
Não me dei ao trabalho de pesquisar os resultados do Porto em casa, nos jogos em que celebrou com os seus adeptos o título conquistado, mas atrevo-me a afirmar que não deverá ter perdido nenhum.
Só saberemos a poucas horas do jogo qual o árbitro nomeado para a festa, mas a tradição manda que seja um que goste de festividades, mesmo que não entre com o cabelo pintado de azul. Provavelmente só irá à Cabeleireira Costa depois de finalizado o jogo.
Desde a inauguração do estádio do dragão que os responsáveis pelas festividades não deixam ao acaso nenhum pormenor. Nesse primeiro jogo, para que a festa não fosse ensombrada pela estreia de Messi, foi nomeado Martins dos Santos, que depois de anos (que para nós pareceram séculos) de bons serviços prestados à causa azul e branca, despediu-se em grande da arbitragem, com o penaltizinho da ordem e uma arbitragem que causou a revolta barcelonista, que esteve quase a pegar na trouxa e sair por onde tinha entrado.
Veremos quem nos sai na rifa, mas a hipótese de nos tocar alguém com ligações ao sistema é elevada, pelo grau de probabilidade.
Se quiser deixar de lado as desconfianças e me quiser focalizar no futebol, também a tradição não é nada favorável, senão vejamos.
A última vez que vencemos no dragão, para o campeonato, foi em 25 de Outubro de 2008, com o golo de Tello que nos deu vida nova para as última 8 jornadas do campeonato. Antes desta, ainda nos podemos recordar da dança de Marco Aurélio, na vitória de Março de 1997 mas já poucos se recordarão da anterior, em Outubro de 1975.
Se esta perspectiva já é preocupante, adensa-se se pensarmos que a última derrota do Porto no dragão, para o campeonato, foi também em Outubro de 2008, quando o Leixões foi vencer por 2-3.
Na época 2009/10 não perderam nenhum jogo em casa, apesar das 4 derrotas no campeonato, na de 2010/11 não perderam nenhum jogo no campeonato, e na corrente época perderam unicamente em Barcelos.
Eu sei que, quando entrarmos em campo, estes números são meros detalhes, mas por vezes a tradição pesa demais.
Só espero que não sejamos, uma vez mais, convidados para fazer de bobo da festa...programada.


 

Ainda hoje, Fernando, médio do Porto diz que "...Somos muito fortes como equipa dentro e fora do relvado". 
Pois, o problema é mesmo esse. É disso que tenho receio, principalmente a segunda, pois contra essa capacidade não há táctica... nem paixão, nem garra que resistam.