quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ventos de Leste


O presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Vítor Pereira, admitiu a possibilidade de árbitros estrangeiros arbitrarem em Portugal, numa entrevista hoje publicada pelo jornal A Borla.
 Vítor Pereira diz que o Conselho de Arbitragem da FPF está aberto a essa experiência, "não de uma forma desorganizada e avulsa, mas num projecto coordenado internacionalmente".
O presidente do Conselho de Arbitragem diz que os portugueses estão preparados para esse tipo de situações e explicou que uma equipa de quatro árbitros internacionais foi convidada para "apitar um dos jogos mais importantes do campeonato romeno".

A arbitragem é, desde há muito, o tema que mais une os clubes portugueses. Todos se consideram prejudicados, injustiçados ou perseguidos e alguns, por estratégia, para camuflar os benefícios sistemáticos (que deriva da palavra sistema).
Esta declaração não surpreende, pois Vítor Pereira não é preconceituoso relativamente a certos temas, mas não deve ser levado muito a sério.
O projecto de que fala não deve ser de difícil execução, mas muitos poderão ser os pedregulhos (instituídos) a emperrar essa engrenagem.
Há pedregulhos com mais de 30 anos, autênticos fósseis vivos que teimam em continuar a fazer história, quando deveriam aparecer, simplesmente, nos livros já bolorentos.
Além da dificuldade de implementação de um modelo a nível europeu, convém não esquecer que da Europa, nem bons ventos, nem casamentos, nem ajuízamentos.
Basta recordar a última eliminatória com o Bilbao, onde fomos altamente penalizados nos dois jogos para nos apercebermos que, cá como lá, somos os parentes pobres.
No entanto, penso que o facto de um jogo decisivo poder ser apitado por alguém sem ligações clubistas poderia ser um passo importante para a credibilização do espectáculo.
Esta posição de V.P. vem no sentido inverso da opinião de muitos dos árbitros nativos, que acham desprestigiante pensar em tal medida, quando os nossos árbitros são convocados para ajuízar jogos além fronteiras.
Pois é, caros árbitros, acham uma honra e uma situação normal irem lá fora, como recentemente o reprovado Olegário, mas ficam ofendidos que cá venham.
Pois pela minha parte era já, a começar pela final da Taça de Portugal.
Pena que já não venham a tempo.