quinta-feira, 10 de maio de 2012

Tão diferentes mas tão iguais


Com os males dos outros podemos nós.
Mesmo sabendo que o campeão recentemente proclamado é dos mais tristes e frouxos dos últimos anos, ele foi capaz, no entanto, de aproveitar as lacunas alheias e , sobretudo, de usufruir do lodaçal do nosso futebol.
Apesar disto, saltou à evidência (mesmo que tenhamos ficados atolados no referido lodo)  que o nosso plantel estava ainda longe de conferir plena confiança aos seus técnicos, dirigentes e massa adepta.
Tantas foram as lesões ou impedimentos vários, como as dúvidas e desconfianças relativamente às segundas linhas da equipa.
Se na baliza foi, provavelmente, a época mais consensual e tranquila dos últimos anos, tanto pelo titular Patrício como pelo suplente Boeck, já na defesa eram muitas as reticências.
A fragilidade defensiva de João Pereira colocou imensas vezes a equipa em apuros, mesmo que as pilhas Duracell e a propensão ofensiva camuflassem as suas carências.
Do outro lado encontrámos finalmente o substituto de Rui Jorge, apesar deste já ter abandonado Alvalade há 7 anos. A questão colocou-se também nas alternativas a estes dois laterais, pois os substitutos não preenchem os requisitos para a exigência do lugar. A sorte foi que as lesões decidiram poupar essa posição, pelo que se depreende que o "fungo" causador das maleitas é pouco dado a certas zonas do campo.
O centro da defesa foi, é ...e parece-me que será o grande foco de discórdia entre adeptos, críticos, jornalistas e responsáveis.
Se durante vários períodos da época pareceu "termos" finalmente acertado na dupla, tripla ou quarteto de centrais, o certo é que, em períodos vitais da época (que são sempre que não ganhamos) veio ao de cima, como azeite teimoso, a persistência do problema.
Bem podem vir em seu auxílio os advogados de defesa de Xandão, Polga, Onyewu e Rodriguez, mas o certo é que nenhum deles recolhe unanimidade, relativamente ao seu valor.
O meio campo é, talvez, o nosso sector mais recheado, tanto em quantidade como em qualidade, mas as peças chave da nossa equipa foram liquidadas por um sem-fim de lesões, algumas delas que quase se adivinhavam, pelo histórico de alguns atletas.
Izmailov é rei e senhor no nosso plantel, e os ocasos da equipa aconteceram na sua ausência. Aliás, basta recordar o melhor do período Sá Pinto, e as desilusões de final de época (Bilbao e Porto) para nos apercebermos que o czar tinha de novo desaparecido.
As lesões começaram ainda na pré-época, obrigando até ao exílio desportivo de Luís Aguiar, e prolongaram-se no tempo, até ao final, dando mais sentido ao provérbio " o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita".
Além de Aguiar, tivemos as mazelas menores de Pereirinha e Wolfswinkel e as mais problemáticas de Izma, Matias, Jeffren, Rodriguez, Onyewu, tanto pelo tempo de inactividade como pela sua preponderância na equipa.
A de Rinaudo, então, superou os piores pesadelos, e na triste tarde/noite de Vaslui escreveu-se, em grande parte, a época do Sporting.
Perante a ausência do argentino, descobrimos que não havia plano B, e muitas foram as experiências de Domingos, com os resultados a repercutirem esse mau planeamento,até descobrir que Carriço poderia minimizar ao danos.
Schaars, Elias...ou os dois, o regressado Renato Neto, André Santos....foram alternando em sucessivos insucessos, que tiveram consequências devastadoras no campeonato, muito mais que o recente roubo do Dragão. Esse, ao invés, já estava planeado com rigor.
Já muito se fala da próxima época, e  dos sectores a reforçar. Sabe-se que sem dinheiro não há palhaço, e por isso a política de renovação deverá passar por jogadores a custo zero mas, preferencialmente, pelo regresso dos nossos activos.
Parece-me consensual, pelos relatos que posso ler aqui e ali, que Adrien Silva (A.S.) irá regressar a casa para tentar impor-se, definitivamente, no meio campo leonino. Depois de ter andado na sombra de Miguel Veloso e posteriormente de Pedro Mendes, só uma lesão deste permitiu aparecimentos que nunca agradaram sobremaneira. Veremos se uma passagem discreta por Israel e o amadurecimento num dos últimos classificados do nosso campeonato foi suficiente para a exigência do Sporting.
Percurso semelhante teve André Santos (A.S.) , dado que foi também na região centro que brilhou, ao ponto de todos o quererem ver de novo de leão ao peito.
Ambos foram muito criticados com a nossa camisola, mas muitas suspiravam pelo seu regresso (talvez pela sua boa aparência). Para ser justo, direi que muitos também o quiseram, pelas suas prestações em campo.
Nenhum deles me parece substituto natural de Rinaudo, e A.S. provou-o à exaustão, nesta penosa época. Não esperem que o outro A.S. o venha fazer agora ou irá, também ele,coleccionar uma legião de críticos.

Ambos, com mais ou menos qualidade a diferenciá-los, estão talhados para jogar um pouco mais avançados no terreno, e por isso são tão diferentes, mas tão iguais. Até na idade (nascidos em Março de 89) e na estatura,  parecem querer confundir os seus admiradores, mas os seus críticos também com isto podem jogar.
O jogador que espero para o Sporting tem o melhor de cada um deles, e para quem não o consegue distinguir, basta tapar metade da fotografia, e esperar que emerja o melhor.


No ataque reside outro dos grandes problemas deste plantel. Se Bojinov partiu para nunca mais voltar, o facto é que deixou Wolfswinkel órfão e o técnico e adeptos à beira de um ataque de nervos. Duque chegou a confidenciar que esperava do búlgaro algo como o que aconteceu com Acosta, ou seja, que pudesse explodir a qualquer momento, mas o que se deu foi uma implosão.
Com um Ribas que, daqui a 3 ou 4 anos, ninguém se lembrará de ter passado por Alvalade, e um Rubio a necessitar de dois anos a competir noutra equipa, com o devido acompanhamento, o certo é que é imperioso o reforço da posição 9, e não de falsos pontas-de-lança, porque de falsidades estamos nós fartos.
Queremos, necessitamos, exigimos... imploramos, se assim o quiserem, por alguém que substitua, concorra...ou nos faça acreditar que há vida para lá do holandês.