domingo, 20 de maio de 2012

Love at first sight



Há adeptos que, mal um jogador chega ao clube (e por vezes até antes de chegar) já fundaram um clube de fãs, abriram uma página no Facebook, ostentam um cartaz no estádio e até cantam uma música a evocar as suas qualidades.
Há jogadores que, mal chegam a um clube, identificam-se com a sua mística e/ou tornam-se um fenómeno de popularidade, junto dos seus adeptos.
Até há uns anos atrás, para algum cair no goto ou merecer tamanha distinção, tinha de suar as estopinhas com a nossa camisola ou, de algum modo, fazer por o merecer.
Também há aqueles que, em lugar de cair no goto caem no "esgoto", e precisam de se esforçar a dobrar para inverter a desconfiança dos adeptos.
Recordo-me de Vidigal, por exemplo, que durante largos períodos foi o patinho feio de Alvalade para, após muito esforço e dedicação, ter chegado a uma época em que o próprio treinador dizia que "é Vidigal e mais dez!".
No pólo oposto, e em tempos de maior condescendência, temos o amor à primeira vista com Capel.
O andaluz chegou e, graças ao seu estilo abnegado e lutador, ao fim de um ou dois jogos já tinha um cântico personalizado e um estádio rendido aos seus pés.
Até houve quem se "atirasse" ao fosso por ele!!
Já teve tempos de menor fulgor, como todos, mas a sua legião de fãs é perseverante e incondicional.
Eu, apesar de não ter ídolos, também gosto de ter jogadores como ele na nossa equipa, mesmo que por vezes (muitas vezes) ache que dá um...dois... dez...vinte toques a mais na bola e se perca uma boa oportunidade de golo.
Diego, como o grande astro argentino, é canhoto, fala espanhol e tem um drible desconcertante, mas é pena que lhe falte um ou outro detalhe para se poder tornar numa lenda, como Maradona ou outros grandes génios da bola.
Apesar de lhe faltarem alguns atributos, tem a vontade e  garra que infelizmente falta a muitos (que mais parecem ter água tépida a correr nas veias, em lugar de sangue). Aquela estirpe de atletas, dos quais Sá Pinto também foi um grande exemplo, é o que faz com que os adeptos o apoiem incondicionalmente, quer o jogo corra bem ou mal, porque sabem que Capel dará tudo pela nossa causa.
Quando estamos a poucas horas de um jogo que vai marcar a nossa época, estive a ler que o espanhol está supermoralizado para esta partida e não duvida que este será dos jogos mais importantes da sua carreira.
Quem o disse foi Juan Bautista Parra, conterrâneo do esquerdino e responsável pelas redes sociais que lhe são afectas.
Contou também que a legião de fãs aumenta, não só em Sevilha, sua cidade natal, mas também em Lisboa. 
Juan Bautista acompanhava Capel pessoalmente em Sevilha. Pelas ruas da maior cidade andaluza, recorda que ninguém largava o futebolista, que continua a queixar-se (com gosto) da popularidade. O amigo do atacante revela: "Ele está a viver um sonho em Portugal. Em Espanha chamavam-lhe o príncipe de Sevilha, mas pelo que ouço agora é rei em Lisboa. É engraçado, porque aqui já havia uma loucura à volta dele, mas Diego ligou-me no outro dia a dizer que em Portugal ainda é pior. Tem de andar sempre camuflado pelas ruas."

Se, como espero, o Sporting ganhar a Taça, não será só uma grande alegria para Capel. Será uma enorme felicidade para toda a nação leonina.
Só espero que o Diego tenha uma tarde tão positiva que o obrigue a melhorar, se possível, as suas técnicas de camuflagem.