quarta-feira, 23 de maio de 2012

Matias no mercado


A notícia que é possível ler hoje na versão online d' O Jogo merece tanta credibilidade como tantas outras, mas a ser verdade o facto de Matias estar no mercado, quer-me parecer que vai cair o Carmo, a Trindade e a boa vontade.
As opiniões acerca de qualquer assunto têm, muitas vezes, o nosso cunho pessoal e, noutras ocasiões, estão condicionadas por conceitos colectivos que vão sendo adoptados.
Falar de Matias sem gerar uma convulsão sportinguista, um duelo com armas de fogo ou um aceso debate em que nunca temos razão, é quase impossível, porque impossível é conciliar os juízos que se tecem em redor deste jogador.
Pessoalmente, porque funciono à base do que vejo e não por pressupostos irreais, acho que estamos perante um jogador que nunca demonstrou todos os predicados com que veio rotulado...para a Europa.
Mesmo que eu não possa incluir-me nos defensores ou detractores fundamentalistas, inclino-me mais para a possibilidade de nunca vermos o jogador com que povoámos alguns dos nossos sonhos.
Como tantos outros, despontou cedo e cedo fez o percurso mais desejado, só que em Espanha nunca confirmou as esperanças nele depositadas.
O passo seguinte já todos conhecem, e os mais incautos, optimistas ou...sonhadores, apregoaram logo que tinha chegado o Messias.
Errado, era só o Matias.
Nada tenho contra o jogador, se exceptuar o facto de raras vezes se apresentar ao nível que seria de esperar. Como quando se debate todos gostam de ter razão, os seus seguidores saltavam logo a terreiro, quando o chileno fazia um jogo mais conseguido ou tinha os tais pormenores de génio.
Os seus detractores, em muito menor número, infelizmente tiveram muitos mais motivos para achar que tinham razão ao desconfiar deste achado, e que por algum motivo aconteceu a despromoção do campeonato espanhol para o português.
Se o facto de, nas duas primeiras épocas, a equipa e os resultados terem estado muito aquém do esperado, e esses factores terem condicionado a quase totalidade dos nossos jogadores, já esta época houve um perfume mais intenso do que poderia ter sido o seu percurso. No entanto, o que continuou a pautar foram oscilações de rendimento enormes.
A condição física nunca foi sua aliada, e esse talvez seja um dos factores que mais o penaliza. Por vezes é deprimente ver este jogador fazer um esforço quase sobre-humano para acorrer a diversas solicitações, quando ainda vamos a meio da segunda parte. Pedro Barbosa também não era jogador de 90 minutos, mas penso que terá começado bem mais tarde a perder a totalidade do tempo de jogo...e era bem menos inconstante durante a época.
Até os mais inveterados defensores das suas inatas qualidades assistiram, primeiro estupefactos, depois eufóricos e orgulhosos, quando Matias cumpriu pontualmente a totalidade do tempo de jogo, o que atesta a sua debilidade física.
Volto a realçar que nada me move contra o jogador porque, logo à cabeça, é um activo do nosso clube e todos os que vestem de verde e branco devem ser apoiados e motivados.
Como activo que é, tal como já referi no caso do João Pereira, espero que se tiver que ser transaccionado neste período que se avizinha, o negócio seja proveitoso para o Sporting e não seja, como tantos outros, considerado um peso morto e se olhe exclusivamente para a massa salarial a diminuir. 
Por esse ponto de vista, poderia propor alguns nomes, fora do âmbito desportivo, que seria um autêntico balão de oxigénio se deixassem de constar da folha de vencimentos, de comissões, ou qualquer que seja o modo de viver à custa do Sporting.