segunda-feira, 21 de maio de 2012

Tudo está mal quando acaba mal?


Lá para meados de Agosto, quando o Porto encontrar a Académica para se abarbatar com mais uma supertaça e aviar a equipa coimbrã com 3 ou 4 golos, iremos dizer que faríamos melhor figura, como na recente final da Liga Europa.
Entretanto, o cromo designado para apitar e escolhido de um círculo restrito e de confiança, porá a equipa da Académica em sentido, se ousar colocar em campo metade da agressividade que ontem foi consentida.
Sá Pinto reconheceu que a equipa esteve apática e muito abaixo do esperado mas, uma vez mais, vai adiar a análise à prestação da equipa de arbitragem para depois de visionar calmamente o que se passou. Ainda estou à espera das análises dos últimos jogos que fomos prejudicados, e em que veio com essa cantilena.
Pois eu não preciso de o fazer, porque não estou condicionado com a nova imagem que o nosso treinador quer passar.
Largas horas passadas sobre o triste jogo, continuo sem encontrar, nas parcas justificações, matéria para o sucedido. 
Mesmo que o sub-rendimento da equipa seja o principal artífice da derrota ( e não da vitória da Académica, pois esta pouco fez para ganhar) não sou capaz nem de dar os parabéns a Paulo Baptista, como já vi alguns sportinguistas fazê-lo, e muito menos passar um cheque em branco e qualificar a sua exibição de positiva.
Não posso nem devo delegar na arbitragem a culpa principal pela derrota, porque essa deve ser repartida entre jogadores e equipa técnica. O certo é que cedo... muito cedo, pudemos constatar que os homens de azul teriam uma tarde aziaga.
O golo que, convém não esquecer, definiu o vencedor, foi precedido de uma entrada com os pitons à perna de Polga. Pior, o jogador ficou incapacitado, e na sequência do lance, ainda com o brasileiro estendido no terreno, o fair-play da treta  imperou e a Académica chegou ao golo.
A outra grande oportunidade da equipa que vestiu de negro...(os nossos corações) foi quando Edinho se isolou e o seu remate foi parado por Patrício. Mais uma vez, falha garrafal de Polga, mas o atacante partiu de um claríssimo fora de jogo.
No capítulo disciplinar também esteve desastrado e, a contrapor às entradas maldosas que foi sucessivamente tolerando e adiando o amarelo (e deste modo potenciar a agressividade para além das regras) mostrou amarelos aos nossos jogadores, por protestar. Efectivamente, está nas regras que os protestos devem ser advertidos com amarelos, mas esta estratégia de deixar distribuir pau por tudo o que se mexa, até os jogadores massacrados perderem as estribeiras e levarem o mesmo castigo que o prevaricador é, caro Paulo Baptista, mais velha que o cagar de cócoras.
No entanto, não é demais voltar a vincar que a grande responsabilidade é da equipa, no seu todo. Tinham obrigação de ter dado muito mais, de ter mostrado mais qualidade ou, na falta desta, metade da determinação daqueles rapazes de preto.
Há muito que não faço grandes apreciações individuais, mas hoje tenho que voltar a referir alguma exibições bizarras, se bem que quando uma equipa joga colectivamente mal, é normal que poucos ou nenhum sobressaia.
Poderia dizer que Insua exibiu-se a um nível muito abaixo do que nos habituou, que Polga deve ter-se despedido ao nível de parte da sua passagem por Alvalade e, cada vez mais, parece que a dupla de centrais é completamente incapaz de começar a construção de jogo, como o treinador delineou.
Elias continua a demonstrar uma inconstância nas exibições que justificam a sua dispensa do Atl. Madrid (a peso de ouro). Ontem, uma vez mais, andou perdido em campo, e a substituição ao intervalo era mais que justificada. No entanto, acredito que se Sá Pinto pudesse fazer 10, teria trocado quase toda a equipa.
Falar de Matias é sempre um risco. Não que ele possa vir atrás de mim, porque acho que com a minha deficiente condição física ainda conseguia correr mais que ele, mas pela legião neurótica de fãs incondicionais que tem. O chileno voltou a exibir-se a níveis patéticos, e só um par de incursões na segunda parte fizeram acreditar que poderia soltar um coelho da cartola, mas de lá só saíram toupeiras. Até Izmailov, que entrou como salvador da pátria, deixou-se contagiar ou, simplesmente, demonstrou que o mês de ausência pesou imenso na forma imaculada que vinha demonstrando. Jeffren, dizem, também esteve em campo, ao passo que Capel e Carrillo tiveram dificuldades acrescidas pelo pouco envolvimento do meio campo nas manobras ofensivas.
Wolfswinkel podia ter brilhado, mas quis imitar as patetices de Edinho, pelo que não nos podemos queixar. A Académica, sem ponta de lança, também marcou um golo.
Sá Pinto, um pouco à imagem de Domingos, lamentou-se da "atitude" dos jogadores, como que sacudindo a água do capote. Só ele sabe em que condições se apresentam os jogadores, mas muitos já se começam a questionar o porquê da saída de Xandão, desde o jogo de Bilbao, em detrimento do americano. Por outro lado, todos delegam no treinador o mérito de devolver o espírito guerreiro aos jogadores, na fase final da época. Por esta ordem de ideias, quando ele desaparece, quando não foi capaz de os motivar para a final, também deve ser delegado nele (na devida proporção) alguma responsabilidade.
O que fica para a história é que acabamos uma época mais (a 3ª consecutiva) sem nenhum título, e não será fácil encontrar um adversário da valia dos academistas, numa próxima ocasião.
Essa equipa coimbrã, que vai passar a figurar na minha lista negra, fez um jogo ao seu nível, com a complacência do Baptista. Quis-me parecer que lá para os 10 minutos de jogo, ou seja, após o golo, já praticava anti-jogo. Hoje já um jornal vem falar da falta de fair-play de João Pereira por não ter devolvido um bola posta fora pela AAC. Nem vou enumerar os exemplos de falta de desportivismo do lado academista, do jogo sujo que se pôde assistir, um pouco à imagem do seu treinador, dado que aprendeu na melhor escola. Auguro um grande futuro a esta equipa na Liga Europa do próximo ano, pois em jogos com 40 ou 50 minutos de jogo útil tem mais probabilidades de fazer boa figura.
Essa foi outra derrota de ontem. A Académica entrará directamente na fase de grupos da Liga Europa enquanto o Sporting terá que se sujeitar às contingências do sorteio do playoff, pelo que terá que jogar no dia 23 de Agsoto. Com a sorte marreca que nos acompanha, ainda ficaremos a ver pela Tv.
Por falar em televisão, se é doloroso assistir ao longe a resultados negativos, não o é menos ao vivo. Pior é quando, com sol ou chuva, com ou sem dificuldades económicas, as pessoas se deslocam por vezes milhares de kilómetros, como ontem foi possível constatar através de inúmeras entrevistas, não para assistir a uma derrota, porque essa pode acontecer em qualquer jogo, mas à falta de ambição que a maioria ostentou.
Agora é altura de balanço, claro, e não no dia 1 de Maio como Fernando Mendes tratou de fazer ao jornal Sporting, dizendo que a época podia ser brilhante. Daí para cá perdemos tudo o que havia a perder, incluindo os 3 importantes jogos com Athletic, Porto e Académica.
As contas fazem-se no fim, e não no princípio ou a 20 dias do final da época, e esta foi bastante negativa. 
Os projectos são a médio prazo? São, tal como era o de Domingos.
Veremos o que o futuro nos reserva, e até qual será o posicionamento relativamente ao nosso treinador, que deixa um saldo de 13 V, 2 E e 6 D para ser analisado. Domingos teve um saldo ligeiramente mais negativo em jogos oficiais ( 19 V, 9 E e 7 D) pelo que é com curiosidade que espero para ver a decisão dos "responsáveis". Sei é que nem um nem outro apresentaram números à nossa altura, e para culminar, falharam em momentos decisivos.
Resta dizer, finalmente acabou a triste época 2011/12.
Será que a 13 será ainda de mais "azar"??