segunda-feira, 18 de junho de 2012

Acalmar a ira


O dia de ontem teve tonalidades verdes, mas com algumas pinceladas vermelhas pelo meio.
Se no futsal foi o que se sabe, no Europeu as cores da nossa bandeira  empalideceram as que se cruzaram pelo caminho.
Nem sequer vou comentar um jogo que todos tiveram possibilidade de ver e apreciar. Uma selecção quase ao seu melhor nível, também beneficiando de uma laranja que nos é sempre doce, se exceptuarmos o apuramento para o Europeu de 1996, altura em que sofremos a única derrota em mais de uma dezena de encontros.
O sistema normalmente utilizado pelos holandeses, bem como a sua pouca apetência para defender de modo coeso, cai quem nem uma luva ao nosso futebol.
Dizem que depois do temporal vem a bonança mas, no caso, foi ao contrário. Se a Espanha tem "El Niño" nós tivemos o furacão Paulo Bento que apareceu no meio de festejos e comemorações, como que zangado com o mundo. Nem vou comentar as declarações e até a má educação com alguns jornalistas estrangeiros, porque os julgamentos devem ser feitos no final, mas não podia de deixar o apontamento de uma conferência de imprensa psicótica.
Por falar em julgamentos, mesmo que pontualmente faça algum tipo de comentário sarcástico ou humorístico, aproveitando-me de momentos da vida do Sporting, não costumo meter a carroça à frente dos bois no que toca a determinadas apreciações.
Tenho seguido com a cautela necessária o caso Paulo Pereira Cristóvão e como infelizmente este faz parte do dia-a-dia do clube, as réplicas ao caso vão aparecendo amiúde, tanto nas publicações diárias como na blogosfera leonina.
Curioso é verificar a facilidade com que se condena ou iliba, um pouco à imagem do que acontece em qualquer caso, mais ou menos mediático.
Eu posso até brincar ou comentar a situação, através das notícias (falsas e verdadeiras) que saem na comunicação social. Não vou é condená-lo antecipadamente, mas também não o ilibarei nem considerarei que , enquanto sportinguista, é uma figura ímpia, pura e incorruptível.
Já que garantem que não somos o clube com mais adeptos, então também não seremos o clube com mais criminosos mas, não duvidem que há muito sportinguista, anónimo ou não, que é adepto de práticas pouco éticas.
Não sei se é uma característica própria de um país pequeno, onde todos são vizinhos ou conhecidos de alguém mas, o facto é que todos nos achamos no pleno poder de todos os dados, para julgar um determinado caso.
Se eventualmente o vizinho mata a mulher, 12 dos 15 filhos, a catatua e o periquito, não faltará a senhora que sabe a rotina diária de cada elemento da família e até a marca do alpiste do periquito, nem o homem que acha que a mulher afinal era infiel e que 8 dos filhos eram da catatua.
Infelizmente a justiça também falha e há inocentes presos. Alguns ficaram famosos e até inspiraram filmes como "Em nome do pai", que relata a cabala montada contra uma família irlandesa, após um atentado do IRA. Afinal era Paulo Bento que estava com...ira!!
Apesar das "certezas" de uns e outros, retenho também a certeza de muitos que consideravam Paulo Pereira Cristóvão o homem certo para acabar com o Roquetismo, nas eleições que disputou com Bettencourt. Ficámos a saber que, dos dois, o melhor era o que estava no meio.
Claro está que todos nós nos enganamos mas não deixa de ser curioso verificar que, para alguns, quem não professa determinadas ideias não quer o melhor para o Sporting e, afinal, a história vai derrubando alguns dos moinhos de Dom Quixote.
Eu continuarei à espera para saber qual o verdadeiro alcance deste caso, mas com a certeza que o nome do Sporting ficará manchado, como nunca o foi na sua longa história.