sábado, 2 de junho de 2012

Um dó li tá


Foi possível ler há dias numa publicação de nome impronunciável, que Stijn Schaars é um dos prováveis capitães do Sporting na próxima temporada.
Claro está que este jornal especializado em mortes, violações e pancadaria  com um cabeçalho vermelho em destaque, raramente acerta uma, mas é uma situação que merece alguma reflexão, principalmente se os jornaleiros decidirem acertar, por mero acaso.
O holandês apresenta-se nesta sua segunda época de leão ao peito como o jogador mais utilizado e peça fundamental nas estratégias, tanto de Domingos como de Sá Pinto.
Não tenho nada contra Schaars, antes pelo contrário...pois é um verdadeiro capitão sem braçadeira mas, a ser verdade a sua promoção, denota a falta de referências no clube.
Com a saída de três dos quatro capitães de 2011/2012 (Polga, João Pereira e Tiago) sobra Carriço, a menos que envergar a braçadeira seja uma espécie de maldição.
Longe vão os tempos de capitães carismáticos, com largo tempo de dedicação à causa e, invariavelmente, com imensa qualidade.
A memória de muitos já não abarca os tempos de Damas, Venâncio ou Manuel Fernandes mas, provavelmente, já serão contemporâneos de Oceano, Sá Pinto ou Pedro Barbosa, só para citar alguns.
Nos últimos anos banalizou-se a entrega da braçadeira, e tivemos a envergá-la um número infindável de jogadores, muitos deles sem qualquer afinidade com o clube.
Dos que agora cessam a sua missão o caso de Polga até acaba por ser sintomático, pois os 9 (tormentosos)  anos de leão ao peito são cada vez mais raros, e o normal é sair-se tão rápido quanto se entrou.
No entanto, a longevidade e/ou o passado leonino podem não ser suficientes para a honra mas, sobretudo, a responsabilidade de a envergar.
Basta recordar o tristemente célebre caso do penalti falhado por Bojinov que deveria ter sido Matias a tentar...falhar, para nos questionarmos:"onde parava o capitão?". Ele, que deve ser a extensão do treinador em campo, pura e simplesmente não actuou, e se tivesse actuado no exercício das suas competências, talvez evitasse que o Sporting  fizesse capas de jornais pelos piores motivos, que tivesse mais um fardo para despachar e, pior de tudo, que tenha deitado uma competição pela janela.
Já um outro que envergou a braçadeira, foi  elevado a esse estatuto de forma extemporânea e sem maturidade ou estatuto suficiente.  Lá pelos reinos do Algarve, num torneio do Guadiana de má memória, João Pequeno fez birra porque queria sair do Sporting e apesar do Robin dos Bosques também ter feito birra, o  capitão acabou por levar a água ao moinho dele e demorou pouco para conseguir sair para outra equipa.
Em pouco tempo chegou a capitão desse novo clube. Provavelmente, também fez birra para o conseguir.
Nessa nova equipa de João Pequeno não bastavam capitães em barda, ainda fizeram regressar "El Comandante", porque na profusão de personalidades e estados de espírito de um plantel, nunca é demais espírito... de liderança.
Na época que em breve irá começar nós até já temos um Capitão...o América, mas precisamos sim de quem se faça entender, transmita determinados valores aos colegas e seja uma referência no plantel e no clube.
Veremos em quem recai a escolha de Sá Pinto e, mesmo não sendo uma escolha da qual dependa o sucesso da equipa, poderá trazer para a galeria dos notáveis mais algum nome insuspeito, até há pouco tempo atrás.
Em todo o caso, se tiver dúvidas, poderá ir pelo sempre democrático e insuspeito "um, dó, li, tá...".