terça-feira, 5 de junho de 2012

Laranja mediterrânica


Começou a circular pela internet, tal como é normal nesta altura do ano, uma camisola que será (dizem os mais incautos) a alternativa para o equipamento do Sporting.
Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, por isso vou comentar este boato simplesmente, como boato.
Até a mais unânime das camisolas, seja a principal ou alternativa, sempre teve os seus ilustres críticos pois, felizmente, todos temos os nossos gostos e por enquanto ainda nos é possível discordar ou, laconicamente, não gostar.
Antes de tecer a minha pessoal opinião, que vale o mesmo que qualquer outra, devo recordar que a história e condicionantes da camisola alternativa têm um timing e uma lógica fáceis de contar:

"..A partir de meados dos anos cinquenta, aparecem os primeiros equipamentos alternativos, camisola branca e calção preto ou camisola verde e calção branco. No fim da década de oitenta surgiu a publicidade nas camisolas (revelando a interligação crescente entre o futebol e outras actividades económicas), até que na época 1998/1999 foi lançado o primeiro equipamento sem as cores tradicionais do Clube, em antracite com uma faixa amarela fluorescente, que se transformou num enorme sucesso de vendas. A partir daí, todos os anos têm sido apresentados novos equipamentos alternativos.
Assim sendo, a alta competição, a criatividade estética, o espectáculo e a dinâmica comercial de grandes instituições como o Sporting Clube de Portugal determinam, época após época, diversas variantes umas mais próximas dos valores dos clubes, outras nem tanto. Desta forma, foram surgindo modelos mais ousados de equipamentos, com grande receptividade principalmente entre os Sportinguistas mais jovens."

Se bem me recordo, os ingleses foram os grandes impulsionadores desta lógica comercial. 
Dado que, com uma estima rigorosa e cuidados redobrados seria possível passear com orgulho, nos dias de hoje, uma camisola de Yazalde ou Jordão, tornou-se imperioso inovar de modo a fazer um apelo aos sentidos dos adeptos.
Dado que a camisola ainda é só um objecto visual, e esperamos por modelos que apelem ao olfacto, paladar ou audição, as marcas e os designers desunham-se para, a cada ano, fabricar um modelo que seja visualmente atraente.
Nem sempre o conseguem, é verdade.
No entanto, apesar de achar que o alternativo deve ser apelativo e do qual nos devamos orgulhar, questiono-me muitas vezes porque é que o utilizamos tantas vezes, sem que haja nada que impeça a utilização do principal.
Só para dar um exemplo, não percebo porque se joga todo de branco, quando o adversário se chama Bilbao e equipa de vermelho e branco. 
Passado este ponto devo dizer que sou, como a maioria, adepto e viciado no verde. No entanto, como já fiz a ressalva de que o alternativo só devia ser utilizado quando estritamente necessário, devo dizer que só tenho preconceitos relativamente a duas cores que nunca deviam fazer parte do nosso equipamento, e estendo este pressuposto à publicidade, seja ela TMN ou qualquer outra.
É curioso que na pátria deste tipo de marketing não existe esta intolerância, mas por terras de Sua Majestade o futebol é entendido de outra forma.
Assim, é normal ver que o alternativo dos reds do Manchester United é azul, e que o alternativo dos blues do City é...vermelho.
Algo impensável, cá pelo burgo.
Feita esta pequena ressalva, devo dizer que...reiterando que eu gosto é do verde e preto, das listas ou do Stromp, este boato laranja está bem conseguido e parece-me vendável. Identifico-me tanto com esta tonalidade como com o verde alface ou o antracite, desde que o leão ruja bem perto do coração e que o vermelho e o azul continuem a ser cores proibidas...extensivo à publicidade, seja ela TMN ou qualquer outra.
Apesar dos holandeses estarem a ganhar terreno no seio do plantel, a hipótese da laranja mecânica ser recriada no Sporting parece-me ainda uma hipótese remota. Por enquanto, a nossa será, simplesmente, mediterrânica...e terá só um ano de prazo de validade.