quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Matador


À falta de notícias do Sporting, os desportivos lá vão dando umas pinceladas verdes à custa de Wolfswinkel.
Ora é o interesse em renovar, ora é a possibilidade de sair.
Quanto à renovação, acho no mínimo curioso que um jogador acabadinho de chegar, com contrato até 2016, tenha que aparecer insistentemente, por interpostas pessoas, a dizer que pretende continuar e que está bem e recomenda-se.
Há já várias semanas é recorrente o seu empresário vir dar conta do estado das negociações e ficámos a saber que ambas as partes discutem, desde o início do ano, a revisão do contrato do holandês. O objectivo passa por melhorar as condições salariais do jogador e reforçar a respectiva cláusula de rescisão, que é de 22 milhões de euros. 
Eu compreendo que o Sporting tente salvaguardar-se para uma hipotética venda mas, não deixa de ser estranho que, em poucos meses, esse contrato necessite ser revisto sendo que, se o real interesse de clubes estrangeiros nos seus serviços não passar de jogada de marketing do empresário, uma vez mais é o Sporting quem fica a perder .
Pois bem, uma coisa é certa. Apesar dos 25 golos marcados esta época e do interesse do Sporting na sua valorização, o certo é que Ricky está longe de agradar a todos os sportinguistas.
Depois de há pouco mais de uma década termos acabado um largo jejum, ao qual entretanto regressámos, tivemos nestes últimos anos avançados para todos os gostos e críticas. No entanto, a qualidade global sempre deixou muito a desejar, e a realidade é que poucas foram as vezes que o Sporting se destacou pela sua capacidade concretizadora.
Aliás, nestes anos a que me refiro, só por duas vezes o Sporting foi a equipa que terminou o campeonato com mais golos marcados. Claro está que uma delas foi no passeio triunfal de Jardel e o outro no ano de Peseiro, onde o Sporting tinha uma mentalidade ofensiva.
Neste flashback, é fácil recordar que Beto Acosta não escapou à desconfiança geral após um começo pouco auspicioso e onde os adjectivos cresciam como cogumelos.
Já os seus aguadeiros na frente de ataque é que tiveram mais dificuldade de afirmação, e se Ayew ainda deu um contributo valioso, já Spehar serviu quase exclusivamente para constar da estatística.
Depois veio o curto mas prolífico reinado de Jardel, bem secundado por Niculae e onde também figuraram actores bem secundários, como Kutuzov.
Foi a vez de chegar Liedson, e acampou durante quase 8 épocas nas imediações da baliza adversária.
A tenda utilizada era para uma pessoa, pelo que foram infrutíferas as tentativas de partilhar o exíguo espaço por intermédio de Lourenço, Silva, Mota, Saleiro, Pinilla, Deivid, Manoel, Bueno, Alecsandro, Purovic, Derlei, Caicedo ou Pongolle.
Depois chegou Postiga e, provavelmente por se ter sentido melindrado e ameaçado, Liedson pediu para sair.

Podíamos estar perante outro reinado duradouro ou, como Acosta e Jardel, simplesmente memorável.
O "Matador das Caxinas" não teve muito tempo para demonstrar que seria o sucessor natural de todos estes goleadores, pois o Zaragoza apercebeu-se a tempo que poderia ali residir o jogador que iria desviar as atenções do guarda-redes Roberto.
Saudosos esses tempos de Postigol, e até Djalol, que jogava 20 metros mais atrás e tinha dois tijolos nos pés, conseguia marcar mais golos.
O "Matador das Caxinas" matou as nossas expectativas jogo após jogo, matou  uma ou outra coruja que sobrevoava o estádio, em noite de futebol, mas deu vida ao adversário.
Claro está que depois de sair Postiga tudo parece perfeito, e até acreditámos que Polga se poderia tornar num ponta-de-lança mais efectivo.
Apareceu Wolfswinkel, e foi possível voltar a sonhar. Sonhar com um ponta-de-lança que finalmente encontrasse os caminhos da baliza, que decidisse jogos e tornasse a equipa novamente temível.
O holandês agradou a muitos, desiludiu a tantos outros mas, quer-me parecer que se os números que apresenta são muito positivos, o facto de não ter tido um único substituto à altura jogou contra ele, e contra o Sporting.
Todos os jogadores têm, na época, momentos de menor fulgor (já para não falar em lesões) e o Sporting delegou num júnior (Rúbio) num coxo (Ribas) e num louco (Bojinov) a resolução desse problema.
O Sporting voltou a apresentar uma eficácia de ataque perturbadora e os 47 golos em 30 jogos atestam isso. Nos últimos 5 anos andamos na casa dos quarenta golos, muito longe dos 66 da época de Peseiro ou dos 74 de Jardel e C&a.
Urge, portanto, renovar com Ricky, lavá-lo com água de rosas ou o que quiserem para que se sinta confortável mas, em simultâneo, é imperioso que venha alguém que seja muito mais que um suplente.
No Real Madrid, se Benzema não se cuida Higuain rouba-lhe as chuteiras.
No Sporting não temos jogadores deste calibre, mas deveríamos ter outro do calibre de Ricky, nem que fosse para dividir as culpas pelos golos falhados.
Cá esperarei por novidades, esperando também não ter que queimar mais cromos ... de jogadores que todos os anos vêm desfrutar do clima de Lisboa.